Representantes dos povos indígenas estiveram presentes no Congresso Nacional, em um momento marcado por manifestações contra o marco temporal para demarcação de terras indígenas. A secretária de Educação Continuada, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Rosilene Cruz de Araújo Tuxá, afirmou que um grupo de trabalho será responsável por apresentar, em 60 dias, uma proposta sobre a nova instituição de ensino superior destinada aos povos indígenas. Tuxá ressaltou a importância da participação ativa das comunidades indígenas na elaboração do projeto, enfatizando o papel dos professores indígenas nesse processo de construção coletiva.
A audiência pública foi promovida a pedido da presidente da comissão, a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG). Durante o encontro, o coordenador do Fórum Nacional da Educação Escolar Indígena, Gersen Baniwa, defendeu a importância da educação escolar para o futuro dos povos indígenas na sociedade contemporânea, ressaltando os desafios complexos enfrentados por essas comunidades.
Uma outra temática abordada na reunião foi o racismo enfrentado pelos estudantes indígenas que ingressam no ensino superior. A diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Andrade, destacou que o Brasil conta com aproximadamente 60 mil estudantes indígenas no ensino superior, mas que as instituições de ensino não estão preparadas para recebê-los devido ao forte racismo existente.
Lúcia Andrade também defendeu outras medidas para melhorar a educação indígena, incluindo a transformação do programa bolsa-permanência em política de Estado, que asseguraria a continuidade dos estudantes indígenas no ensino superior.
Além disso, os indígenas estiveram presentes no Congresso para protestar contra a derrubada dos vetos presidenciais ao projeto que estabelece o marco temporal. Essa parte do texto, que foi vetada, determinava que a demarcação dos territórios indígenas deveria respeitar a área ocupada pelos povos até a promulgação da Constituição Federal, em outubro de 1988.
No geral, a reunião na Câmara dos Deputados representou um importante espaço para a discussão e o debate sobre a educação indígena, destacando a necessidade de políticas inclusivas e respeitosas em relação às comunidades originárias do país. A participação ativa dos representantes indígenas e a busca por soluções efetivas para os desafios enfrentados por esses povos foram os principais pontos ressaltados ao longo do encontro. A discussão continuará em pauta nos próximos dias e ações concretas devem ser tomadas em prol da melhoria da educação indígena no Brasil.





