Rondinelli enfatizou a relevância da CNEN na produção de radiofármacos, um setor crucial para a medicina nuclear no Brasil. Ele revelou que o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) é responsável pela fabricação do tecnécio, um elemento essencial que compõe mais de 80% dos exames nessa área. O presidente também atualizou sobre o cronograma de construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), um projeto considerado estratégico para o fortalecimento do setor nuclear nacional. A inauguração do espaço destinado ao reator está programada para junho deste ano.
Além da produção de radiofármacos, a CNEN tem se dedicado a outras áreas, como a esterilização de produtos médicos e farmacêuticos. Um exemplo notável é o uso da radioesterilização em bancos de tecidos, que inclui a aplicação de pele de tilápia no tratamento de queimaduras. A instituição ainda desenvolve pesquisas para combater o mosquito Aedes aegypti, que é vetor de doenças como dengue e zika, bem como trabalha na eliminação de fungos em bens culturais e no beneficiamento de minerais por meio de radiação.
Em um ponto destacado durante a audiência, o deputado Julio Lopes (PP-RJ), coordenador da Frente Parlamentar da Tecnologia e Atividades Nucleares, defendeu a conclusão da Usina Angra 3, enfatizando a importância da energia nuclear como uma fonte limpa e segura. Lopes criticou a desinformação sobre o setor, apontando que as grandes potências mundiais estão aumentando seus investimentos em energia nuclear. Segundo ele, o Brasil, que possui uma das maiores reservas de urânio do planeta, deve utilizar seu potencial para promover o desenvolvimento econômico e gerar empregos qualificados.
Os diretores da CNEN também abordaram a necessidade de estabilidade orçamentária e a recomposição do quadro de servidores, que atualmente se encontra defasado, com apenas 46% dos cargos ocupados. O tema das contratações foi reiterado por Reimont (PT-RJ), que solicitou a nomeação dos concursados de 2025 para suprir a demanda. A CNEN, criada em 1956, tem uma história marcada por desafios, incluindo o maior acidente radiológico do país em 1987, e continua a desempenhar um papel vital na ciência e na tecnologia no Brasil.





