CAMARA DOS DEPUTADOS – Comissão da Câmara aprova projeto que regula negociação de dívidas do setor elétrico relacionadas a riscos hidrológicos e limita participação de empreendimentos beneficiados.

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deu um passo importante na regulamentação do setor elétrico ao aprovar um projeto de lei que estabelece diretrizes para a negociação de dívidas relacionadas a ações judiciais envolvendo o risco de falta de água nas hidrelétricas. Essa proposta, que terá um impacto significativo no mercado, visa não apenas organizar as disputas legais existentes, mas também proteger os consumidores de aumento nos custos da energia elétrica.

O projeto é especialmente focado no Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), que redistribui entre as usinas hidrelétricas os riscos associados à variação da geração de energia, especialmente em períodos de seca. Quando uma geradora recorre à justiça para isentar-se desses riscos, podem surgir valores pendentes que impactam diretamente o mercado de curto prazo.

Entre as diretrizes apresentadas, a proposta especifica quem poderá participar das negociações e como será contabilizado o prazo adicional para concessão das usinas. A intenção por trás dessas mudanças é reduzir a probabilidade de que tais negociações resultem em custos maiores para os consumidores finais.

Um ponto crucial do texto aprovado é a proibição da participação, como compradores de títulos nesse mecanismo, de operadores que possuem empreendimentos beneficiados por tarifas especiais de transporte de energia. Essa restrição também se estende a empreendimentos que funcionam sob o regime de cotas, estabelecido por legislação anterior. Esse regime garante que as geradoras recebam uma remuneração fixa pela operação e manutenção.

Além disso, o projeto determina que a extensão do prazo de outorga das usinas se limitará a sete anos, aplicando-se apenas ao mecanismo concorrencial, sem descontos provenientes de outras normas existentes.

A proposta, que foi aprimorada pelo deputado Hugo Leal (PSD-RJ) e que se configura como uma versão substitutiva do original, busca proporcionar uma estrutura mais eficiente e justa para a negociação de dívidas no setor elétrico sem onerar ainda mais as tarifas pagas pelos consumidores.

Próximos passos incluem a análise do texto pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. O relator enfatizou que é crucial evitar prorrogações de outorgas que possam ter repercussões negativas nas tarifas, reafirmando o comprometimento com a proteção dos direitos dos consumidores.

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