Os debatedores alertaram que a falta de acesso à atenção básica e o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) são os principais obstáculos para um diagnóstico eficaz. Doenças como glaucoma e retinopatia diabética, citadas como as principais causas de perda de visão evitável no Brasil, foram discutidas com preocupação. A deputada Carla Dickson (União-RN), que pediu a realização do evento, criticou as limitações financeiras que afetam o setor. Ela enfatizou que os baixos valores pagos pelo SUS dificultam a oferta de atendimento oftalmológico adequado, resultando em longas filas de espera. “A oftalmologia deve estar incluída na atenção básica. Não podemos permitir que um cidadão aguarde anos por uma consulta que pode proteger sua visão”, afirmou.
Roberto Murad Vessani, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, enfatizou que essa enfermidade é a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo. Ele ressaltou que cerca de 3,5% das pessoas acima de 40 anos são afetadas pela doença, e alarmantes 90% dos casos não são identificados precocemente, pois os sintomas só se manifestam em estágios avançados. Lúcia Xavier, representante da Associação de Diabetes Brasil, complementou que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira entre pessoas em idade produtiva, destacando que 56% dos diabéticos desconhecem sua condição, o que agrava o problema do diagnóstico.
A presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Maria Auxiliadora Frazão, defendeu uma reformulação na organização da rede de atendimento para facilitar o acesso e garantir uma remuneração justa aos profissionais da saúde. Ela argumentou que investir na prevenção da cegueira é financeiramente mais vantajoso do que lidar com suas consequências sociais e econômicas.
Representantes da sociedade civil manifestaram preocupações sobre a demora na incorporação de novas tecnologias no SUS. Ângela Souza, da Retina Brasil, alertou que tratamentos e implantes frequentemente demoram anos para chegar aos pacientes, o que compromete a eficácia dos cuidados. Gabriela Hidalgo, coordenadora de projetos do Ministério da Saúde, anunciou iniciativas como os Orçamentos de Cuidados Integrados, que proporcionam uma melhor remuneração por atendimento, além de planos para atualizar os protocolos clínicos para tratamento do glaucoma em 2026.
Este debate reflete a urgência de um olhar mais atento às políticas de saúde ocular no Brasil e a necessidade de ações eficazes para reduzir os índices de cegueira e melhorar a qualidade de vida da população.
