CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados destaca alarmante aumento da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil em sessão solene de conscientização.

Em uma sessão solene realizada na Câmara dos Deputados, líderes políticos, ativistas e especialistas se reuniram para discutir um tema alarmante: a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Os dados são preocupantes: a cada hora, oito crianças se tornam vítimas deste crime horrendo. De acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 8,5% dos casos são oficialmente denunciados, o que ressalta a complexidade e a gravidade da situação.

Os números são ainda mais chocantes quando analisados na perspectiva de um relatório do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que revelou que o Disque 100 recebeu 32 mil denúncias de violência sexual contra menores entre janeiro e abril deste ano. Esse total é 50% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, indicando um aumento preocupante nos casos de abuso.

Durante a sessão, Deila Cavalcanti, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), destacou que mais de 12 mil meninas com menos de 14 anos deram à luz após sofrerem violência sexual. Ela ressaltou que muitos agressores são pessoas próximas às vítimas, como pais, padrastos e outros familiares, o que torna a situação ainda mais alarmante e difícil de ser abordada pela sociedade.

A deputada Delegada Ione, que presidiu a sessão, enfatizou que a mobilização em torno do tema vai além da campanha Maio Laranja, sendo uma chamada constante à conscientização e proteção das vítimas. Ela alertou que muitas crianças e adolescentes não sabem pedir ajuda, seja por medo, culpa ou pela falta de compreensão de que são vítimas de um crime.

“Essa violência causa marcas profundas, não apenas físicas, mas emocionais que podem perdurar por toda a vida”, afirmou Ione, que também orientou os pais a estarem atentos a mudanças de comportamento e a criarem um espaço seguro para diálogos sobre o tema.

A vereadora Keyla Cristina, procuradora da Criança e do Adolescente em Contagem (MG), propôs a unificação de dados sobre esses crimes no Brasil, criticando o aumento de adolescentes que cometem abusos contra outros jovens. Ela também ressaltou a influência negativa de conteúdos pornográficos na formação da educação sexual das crianças.

Andressa Bravin, diretora do Instituto Isabel, reforçou a necessidade de fortalecer a estrutura familiar como uma estratégia para combater os maus-tratos, citando estudos que mostram uma maior incidência de abusos em famílias com apenas um dos pais biológicos e um parceiro novo.

Por fim, iniciativas como o Projeto Proteção, desenvolvido pelo Sest Senat em parceria com a Childhood Brasil, buscam capacitar motoristas e encorajar denúncias de exploração sexual nas estradas. A luta contra a exploração sexual de crianças é um compromisso que deve ser compartilhado por toda a sociedade, nos lares, escolas e instituições públicas, a fim de construir um futuro mais seguro para os jovens brasileiros.

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