Desmatamento da Mata Atlântica Chega a Níveis Históricos de Redução, Mas Ameaças Legais Persistem
Na última terça-feira, 19 de maio de 2026, durante uma audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, ambientalistas apresentaram dados encorajadores sobre o desmatamento da Mata Atlântica, embora tenham ressaltado perigos legislativos que podem comprometer esses avanços. O encontro ocorreu no contexto da “Semana do Agro”, que discute uma série de projetos de lei favoráveis ao agronegócio, porém potencialmente prejudiciais para a conservação ambiental.
De acordo com pesquisas recentes da Fundação SOS Mata Atlântica e do MapBiomas, houve uma redução significativa de 28% no desmatamento da Mata Atlântica entre 2024 e 2025, passando de 53,3 mil hectares para 38,3 mil hectares. No total, nos últimos dois anos, a queda foi de impressionantes 47%. O Atlas dos Remanescentes Florestais, uma colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou uma redução histórica de 40% na supressão da vegetação nativa. Luiz Fernando Pinto, diretor da SOS Mata Atlântica, expressa um “otimismo cauteloso” ao afirmar que esta é a menor taxa de desmatamento anual em quatro décadas de monitoramento.
Esse cenário positivo é atribuído a medidas como a restrição de crédito para desmatadores ilegais e políticas públicas mais rigorosas. A Lei da Mata Atlântica, que completa 20 anos em dezembro, é considerada um marco na governança florestal, contribuindo de maneira significativa para a diminuição do desmatamento.
Entretanto, os especialistas alertam sobre o “pacote da destruição”, uma série de propostas legislativas que podem reverter os avanços obtidos. Um projeto controverso, recentemente aprovado, flexibiliza as proteções para os campos de altitude, um tipo de ecossistema que merece proteção rigorosa, segundo Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.
O deputado Nilto Tatto (PT-SP), que organizou o debate, criticou a inclusão de dez projetos na pauta da “Semana do Agro”, considerando-os como ameaças permanentes à floresta. Ele advertiu que, embora seja motivo de celebração as conquistas obtidas até agora, a luta pela conservação da Mata Atlântica é constante e requer vigilância.
A urbanização desordenada na região também é motivo de preocupação, com a Mata Atlântica sendo o bioma mais devastado do Brasil, com apenas 24% de sua vegetação nativa remanescente. Esta urbanização descontrolada atraiu 80% das ocorrências de desastres naturais, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Com a cidade do Rio de Janeiro à frente, a expansão urbana em áreas de segurança hídrica é alarmante, afetando 1.325 municípios. Para os especialistas, a restauração de fragmentos florestais e uma gestão sustentável do espaço urbano são fundamentais para a proteção da Mata Atlântica e a adaptação às mudanças climáticas. No dia 27 de maio, o Dia Nacional da Mata Atlântica será celebrado na Câmara, destacando a importância desse bioma crucial para o meio ambiente brasileiro.
