Comissão da Câmara dos Deputados Avança na Proteção Financeira de Idosos contra Crimes e Abusos
Em uma evidente resposta à crescente preocupação com a violência patrimonial contra os idosos, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que visa estabelecer uma rede de proteção robusta para combater golpes e abusos financeiros direcionados a essa faixa etária. A nova medida cria o Sistema Nacional de Notificação de Indícios de Violência Patrimonial (Sinvid), que permitirá a instituições financeiras, hospitais, cartórios e lares para idosos reportar atividades suspeitas às autoridades competentes.
Segundo os termos da proposta, fica estabelecido que estes organismos devem alertar o sistema caso percebam comportamentos anômalos, como saques não usualmente elevados na conta de um idoso, alterações em testamentos enquanto o titular estiver hospitalizado, ou ainda a venda de bens imóveis sob aparência de coação. Essa iniciativa visa não apenas a prevenção, mas a vigilância ativa, transformando instituições em “sentinelas” da proteção aos mais velhos.
O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), relator do projeto, enfatizou que essa contribuição é crucial para o compartilhamento seguro de informações, respeitando as diretrizes estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ele destacou que a proposta representa um avanço significativo para a dignidade e a segurança financeira dos idosos, uma vez que aborda o problema em sua raiz, coibindo a ação de potenciais golpistas antes que o prejuízo ocorra.
Além de criar o sistema de alerta, a proposta implica mudanças significativas na legislação penal, elevando as punições para quem utilizar a vulnerabilidade dos idosos para prática de crimes, como abandono e apropriação indébita. A pena para quem abandonar um idoso sob seus cuidados poderá ser aumentada em até 50% se o crime for cometido por familiares ou cuidadores contratados, refletindo um endurecimento nas penas para a proteção desse grupo etário. No caso de apropriação indébita, quando o desvio for de recursos como pensões ou aposentadorias, a pena também será ampliada.
Cabe destacar que os processos judiciais para anulação de vendas ou contratos realizados sob condições de coação terão prioridade máxima nas varas judiciais, facilitando a reparação dos danos cometidos.
Agora, a proposta segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e posteriormente será votada pelo Plenário. Para que se torne lei, precisará ser aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado, em uma etapa decisiva para fortalecer a proteção dos direitos dos cidadãos mais velhos no Brasil.






