CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara dos Deputados aprova proibição de termos discriminatórios em projetos arquitetônicos, como “quarto de empregada”, avançando na reparação histórica e desnaturalização cultural.

Câmara dos Deputados Aprova Proibição de Termos Históricos Discriminatórios em Projetos Arquitetônicos

Em uma ação significativa para a promoção da igualdade e do respeito nas relações de trabalho, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados ratificou o Projeto de Lei Complementar 18/25, que visa banir expressões como “quarto de empregada” e “dependência de empregada” de projetos arquitetônicos. Denominado PLP Preta Rara, o projeto busca eliminar termos que evocam a herança da escravidão no Brasil, propondo uma mudança notável na terminologia utilizada em documentos públicos e privados, bem como em materiais publicitários.

A proposta, que passou por uma reformulação substancial, é fruto do trabalho da relatora, a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP), e representa uma evolução significativa em relação ao texto original, de autoria da deputada Denise Pessôa (PT-RS). A principal diferença entre as versões reside na obrigatoriedade da mudança, já que o projeto inicial apenas incentivava que estados e municípios implementassem a proibição. O substitutivo aprovado torna a medida de caráter nacional, evidenciando a necessidade de ações urgentes para a reparação histórica.

Em suas declarações, a Professora Marcivânia destacou a importância simbólica e prática da eliminação dessas nomenclaturas, reafirmando seu papel na desnaturalização da “cultura do quarto de fundos”, uma expressão da desigualdade no ambiente de trabalho que persistiu ao longo dos anos. A relatora enfatizou que essa transformação é vital para promover relações de trabalho pautadas no respeito mútuo, afastando-se das estruturas de servidão.

Além disso, o novo texto expande o escopo da proibição ao incluir termos como “suíte de empregada” e outras denominações semelhantes, com o intuito de evitar contornos da legislação por meio de eufemismos. Essa estratégia é fundamental para garantir que a lei tenha sucesso em seu objetivo de promover uma mudança cultural necessária.

Para assegurar que a nova norma seja implementada efetivamente, o poder público deverá adotar uma série de medidas voltadas para a conscientização da sociedade. O projeto impactará a legislação referente ao trabalho doméstico, especificamente a Lei Complementar 150/15. Contudo, antes de se tornar lei, a proposição ainda passará por avaliações na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania antes de ser submetida ao Plenário da Câmara. Se aprovada, deverá seguir para o Senado e, posteriormente, ser sancionada pela Presidência da República. Essa tramitação é crucial para que o Brasil avance em direção a um panorama mais justo e igualitário nas relações laborais e sociais.

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