O principal objetivo do projeto é assegurar que as políticas de desenvolvimento social considerem os altos custos de logística e transporte, e os prazos estendidos que afetam a execução de obras e serviços na Amazônia Legal. Historicamente, o Orçamento federal tem ignorado essas especificidades, aplicando regras idênticas às de outras regiões do país, o que provocou disparidades significativas no desenvolvimento regional.
O relator do projeto, deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), destacou que a inclusão do fator amazônico irá corrigir essas distorções. Ele argumentou que a nova abordagem tornará os orçamentos mais realistas, evitando que obras sejam interrompidas por conta de subestimações de custo. De acordo com Malafaia, é crucial considerar não apenas os custos diretos de logística, mas também os obstáculos impostos pelas condições climáticas e geográficas da região.
Além disso, o projeto de lei propõe alterações na Lei Geral de Licitações, determinando que o valor estimado para contratações públicas inclua gastos adicionais relacionados a deslocamentos e acessos limitados a recursos. Essa mudança se aplica a todos os investimentos realizados com recursos do Orçamento da União, buscando um entendimento mais claro e justo sobre os desafios enfrentados na implementação de políticas públicas na Amazônia.
Outra inovação importante da proposta é a exigência de que órgãos públicos realizem estudos detalhados sobre os custos com licenciamento ambiental e a adaptação de projetos para garantir a resiliência da infraestrutura às condições locais. A transparência na aplicação dessas novas diretrizes também será uma prioridade do Poder Executivo durante os ciclos de planejamento e execução das políticas.
Agora, o projeto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde será avaliado em caráter conclusivo. Para se transformar em lei, a proposta ainda precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado. Essa iniciativa representa um avanço importante na busca por equidade e respeito à dignidade dos povos da Amazônia, abordando questões históricas de desigualdade que há décadas afetam a região.





