O novo sistema de prontuário será um registro abrangente que reunirá desde boletins de ocorrência e inquéritos policiais até informações sobre o andamento de processos judiciais relacionados à violência contra a mulher. Além disso, ele permitirá o rastreamento das penas aplicadas e o monitoramento das medidas protetivas emergenciais que forem estabelecidas para as vítimas. Um dos principais focos dessa iniciativa é impedir que agressores possam ocultar seus antecedentes ao se relocarem para diferentes cidades ou estados, uma prática facilitada pela fragmentação existente na atual estrutura de registros.
O deputado Ricardo Ayres, autor da proposta, defendeu que a criação deste prontuário é vital para resolver a desarticulação dos dados que atualmente alimentam as operações das forças policiais e do sistema judiciário. A nova plataforma facilitará o intercâmbio de informações entre as diversas esferas de segurança pública – municipal, estadual e federal – bem como com o Ministério Público e a Defensoria Pública, promovendo uma abordagem mais coesa e integrada no tratamento de casos de violência.
Laura Carneiro, deputada relatora do projeto, enfatizou que o monitoramento em tempo real é um avanço imprescindível para a proteção das vítimas. Segundo ela, essa integração permitirá que juízes e policiais tenham acesso a dados concretos que ajudam a avaliar o nível de risco que as vítimas enfrentam. O projeto também assegura que o acesso à informação será restrito a profissionais autorizados, garantindo a privacidade e o sigilo das vítimas e seus dependentes.
Agora, o projeto segue tramitando em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação, bem como de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, ainda precisará ser aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados e posteriormente pelo Senado Federal. Essa nova medida representa um passo significativo na busca por um sistema mais equitativo e eficaz no combate à violência doméstica no Brasil.
