CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara debate revisão de espécies invasoras e seus impactos sobre a agricultura brasileira em reunião conjunta de comissões. Parlamentares defendem PLC 5900/25.

Na última quarta-feira, 20 de maio de 2026, uma reunião conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados tratou de um assunto controverso: a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras proposta pelo Ministério do Meio Ambiente. O encontro reuniu parlamentares e especialistas que expressaram preocupações sobre os potenciais danos que a nova classificação pode causar à produção agrícola e ao agronegócio brasileiro.

Os participantes alertaram que a inclusão de espécies fundamentais para a economia, como a tilápia, o eucalipto e a braquiária, como invasoras pode levar à imposição de restrições severas, como a perda de licenciamento para cultivo e até mesmo a proibição de sua produção. Esses alertas enfatizam a importância de uma revisão criteriosa e equilibrada das normas que regem a biodiversidade, especialmente considerando o impacto socioeconômico.

Durante a discussão, o deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e autor do Projeto de Lei 5900/25, defendeu que a matéria não deve ser tratada exclusivamente pelo Ministério do Meio Ambiente. Ele propôs que outras pastas, como Agricultura e Pesca, também devem ser consultadas antes da elaboração de novas normas. Lupion destacou a necessidade de integração entre as normas ambientais e as cadeias produtivas, ressaltando que as decisões tomadas sem considerar a realidade econômica do país podem resultar em graves consequências para a balança comercial e a geração de empregos.

O deputado Cobalchini, autor do requerimento para o debate, concordou com as preocupações manifestadas, argumentando que a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) possui uma representação insuficiente do setor privado. Para ele, a análise das implicações financeiras das novas listas não pode se restringir a um enfoque meramente ecológico. “É imprescindível uma avaliação integrada que considere os impactos socioeconômicos e regulatórios para assegurar decisões equitativas e fundamentadas”, enfatizou.

Além dos parlamentares, representantes de organizações do setor privado, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também manifestaram sua preocupação. A assessora técnica Jaine Ariele Cubas apontou que a estrutura de representação da Conabio favorece ONGs a expensas do setor produtivo, o que poderia prejudicar a análise de espécies com relevância econômica.

O impacto das novas classificações foi detalhadamente discutido pelo chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores. Ele alertou para os perigos de rotular, de maneira abrangente, peixes comerciais como espécies invasoras sem um estudo adequado que considere variáveis regionais e riscos diferenciados. Por fim, o pesquisador Paulo Henrique Miller, do Ipef, apresentou dados que mostram que pragas nativas atuam como barreiras ecológicas naturais, implicando que a classificação não deve ser adotada de forma indiscriminada.

Com essas preocupações em mente, o debate sobre a revisão da lista de espécies exóticas invasoras continua a gerar intensas discussões, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre a conservação ambiental e as demandas do agronegócio.

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