Durante a audiência, foi evidente a mobilização dos representantes sindicais, que se manifestaram a favor da proposta, enquanto pelo menos nove deputados aparentemente reconsideraram suas assinaturas em emendas que previam um prazo de dez anos para a implementação da nova jornada. Para que as emendas sejam analisadas, é necessária a coleta de pelo menos 171 assinaturas, número que inicialmente foi alcançado com 171 e 176 apoios.
A comissão especial responsável por analisar a proposta, presidida pelo deputado Leo Prates, enfatizou que a jornada de trabalho deve ser reduzida para 40 horas, mantendo dois dias de descanso e sem que haja perda salarial. O relator deve apresentar seu relatório final na quarta-feira, 20 de maio.
Durante a discussão, o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antonio Neto, expressou preocupações sobre as condições atuais de trabalho. Ele destacou que a vida moderna exige mais dos trabalhadores, especialmente em termos de qualificação e adaptação a um ritmo acelerado da sociedade. “Os deslocamentos urbanos se tornaram mais longos, e as exigências cognitivas aumentaram”, afirmou, sublinhando que, embora a tecnologia tenha tornado certos processos mais rápidos, a vida cotidiana das pessoas não se tornou mais simples.
Por outro lado, a empresária Isabela Raposeiras argumentou que uma jornada de trabalho de 4×3, já adotada em sua empresa, resultou em aumento da produtividade. O debate se desdobrou com a deputada Julia Zanatta, que alertou sobre os possíveis impactos financeiros dessa mudança para as pequenas empresas e questionou: “Quem vai pagar essa conta?”.
Além dos aspectos econômicos, o impacto das jornadas elevadas sobre a saúde dos trabalhadores foi amplamente discutido. Vitor Filgueiras, da Fundacentro, citou um estudo da Organização Mundial de Saúde afirmando que um terço das doenças ocupacionais está relacionado a jornadas excessivas. A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Thessa Guimarães, acrescentou que questões como depressão e ansiedade se tornaram comuns entre os trabalhadores sob regimes extenuantes.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho, portanto, não é apenas uma questão trabalhista, mas também de saúde pública e adequação às exigências da vida contemporânea. A expectativa é que a comissão avance em suas deliberações e apresente um resultado que reflita as necessidades de trabalhadores e empregadores em um cenário em constante mudança.
