CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara aprova redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais, alterando escala de 6×1 para 2 dias de descanso e priorizando a qualidade de vida.

Câmara dos Deputados Aprova Redução da Jornada de Trabalho no Brasil

Em uma reunião marcada por intensos debates e expectativas, a comissão especial da Câmara dos Deputados, responsável por analisar mudanças na jornada de trabalho, aprovou na quarta-feira, 27 de maio de 2026, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que promete transformar a rotina laboral dos brasileiros. A votação resultou em 34 votos a favor e 4 contra, sinalizando um apoio considerável à proposta que visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.

A nova emenda estabelece um cronograma gradual. A partir da promulgação, em um prazo de 60 dias, a jornada semanal passará para 42 horas, garantindo aos trabalhadores dois dias de descanso por semana, sendo um deles, preferencialmente, no domingo. Após um período de 12 meses, a carga máxima de trabalho será reduzida para 40 horas. O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), defendeu que essa mudança representa uma “grande reforma na vida das pessoas”, priorizando o bem-estar das famílias e a criação de um futuro mais saudável para as gerações seguintes.

Durante a aprovação, destacaram-se duas outras propostas que também buscavam a redução da carga horária. A PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propunha uma jornada de 36 horas após dez anos. Já a PEC 8/25, de Erika Hilton (Psol-SP), visava estabelecer 36 horas semanais em um modelo de trabalho 4×3, com quatro dias de trabalho e um dia de descanso.

A nova legislação seguirá agora para o plenário da Câmara, antes de ser apreciada pelo Senado. O texto aprovado permite convenções e acordos coletivos, assegurando maior flexibilidade para setores que demandam regimes diferenciados, como saúde e segurança, e garante que uma futura legislação poderá estabelecer regras específicas para microempreendedores e pequenas empresas.

Entretanto, a discussão não foi isenta de controvérsias. Durante a sessão, 47 deputados se manifestaram. O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcanti (RJ), defendeu uma redução imediata da jornada, propondo um modelo 4×3 sem os 60 dias de espera. O deputado Lindebergh Farias (PT-RJ) criticou a posição do PL, argumentando que o foco deveria ser a construção de um debate coerente e responsável sobre as mudanças laborais.

Outros parlamentares, como a deputada Julia Zanatta (PL-SC), expressaram preocupação com os custos que a redução da jornada poderia trazer para as empresas, enquanto a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) celebrou a aprovação como uma conquista dos trabalhadores. De forma abrangente, a proposta reflete um movimento em direção a um novo paradigma de trabalho no Brasil, buscando equilibrar a vida profissional e pessoal dos cidadãos.

A expectativa é de que a matéria avance no legislativo, mas os debates ainda estão longe de se encerrar, especialmente em um tema tão sensível quanto as condições de trabalho e a saúde econômica do país.

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