A proposta aprovada estabelece que, a partir da promulgação da nova emenda, haverá uma transição em que, após 60 dias, a jornada semanal será reduzida para 42 horas, garantindo também dois dias de descanso remunerado por semana — preferencialmente um deles aos domingos. Após um ano da promulgação, a carga horária passará para as 40 horas semanais. A mudança tem o potencial de impactar profundamente a vida de milhões de trabalhadores brasileiros.
O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), defendeu que essa reforma transforma a dinâmica familiar, permitindo que os pais e mães tenham mais tempo para o convívio com seus filhos, algo que ele considera essencial para a formação de uma sociedade mais consciente e humana. A nova emenda, no entanto, mantém a flexibilidade, permitindo que acordos coletivos estabeleçam regimes diferenciados, como o modelo 12×36, utilizado em áreas essenciais como saúde e segurança.
Além das mudanças nas horas de trabalho, a proposta também se preocupa com os microempreendedores e pequenas empresas, prevendo que uma futura lei definirá regras específicas para essas categorias, resguardando a continuidade dos empregos. Importante destacar que, para profissionais altamente qualificados e bem remunerados, a obrigatoriedade de controle da jornada poderá ser abolida, permitindo maior liberdade na gestão do tempo de trabalho.
Durante a sessão, houve um intenso debate sobre a proposta. O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcanti (RJ), aproveitou a ocasião para afirmar que sua legenda está em prol de uma mudança ainda mais radical, sugerindo uma jornada de trabalho de apenas quatro dias, com três de descanso. Enquanto isso, o deputado Lindebergh Farias (PT-RJ) cobrou que a discussão fosse coerente, lembrando da presença de mais de 60 parlamentares que apoiaram uma transição de dez anos.
Defensores da proposta, como a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), enxergam a aprovação como uma vitória dos trabalhadores em um cenário marcado por pressão das entidades empresariais. A deputada Erika Hilton, que também é autora de uma das PECs discutidas, enfatizou que a mudança não se trata apenas de uma ação governamental, mas de uma resposta direta a uma jornada de trabalho pesada que comprometeu a dignidade dos trabalhadores.
Por outro lado, o líder do Novo, Gilson Marques (SC), apresentou um voto em separado, sugerindo que a rigidez dos limites de horas não seja obrigatória. Ele argumentou que a flexibilidade na negociação entre empregador e empregado poderia evitar um possível aumento dos custos operacionais, o que, segundo ele, refletiria negativamente sobre os preços aos consumidores.
Essa discussão persiste, e as próximas etapas dessa reforma poderão moldar o futuro do trabalho no Brasil, ao mesmo tempo que provocam debates acalorados entre diferentes grupos políticos e sociais. A proposta agora segue para a análise do Plenário da Câmara, antes de ser remetida ao Senado, onde novas discussões são esperadas.
