CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara Aprova Proposta que Obriga Cartórios a Informar Justiça sobre Registros de Nascimento Sem Nome do Pai em até Cinco Dias

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados deu um passo significativo em direção à responsabilização da paternidade ao aprovar uma proposta que impõe novas regras para os cartórios de registro civil. A medida determina que estes estabelecimentos devem notificar a Justiça em até cinco dias sobre registros de nascimento que não incluem o nome do pai. Essa alteração visa garantir maior precisão e agilidade nos procedimentos legais relacionados à paternidade, em uma atualização da Lei de Investigação da Paternidade, que atualmente não estipula um prazo específico para tais notificações.

O relator da proposta, deputado Cleber Verde, do MDB do Maranhão, destacou a importância da medida, apontando que ela reforça o princípio constitucional da paternidade responsável. Segundo Verde, a presença do pai, mesmo que não haja coabitação, é fundamental para o desenvolvimento saudável da criança. Com a aprovação, o texto estabelece que as notificações ao juiz devem ser acompanhadas por informações fornecidas pela mãe, como nome, sobrenome, profissão e endereço do suposto pai.

O juiz, por sua vez, terá a obrigação de ouvir a mãe sobre a suposta paternidade e notificar o possível pai, assegurando que o processo permaneça em sigilo. Caso o suposto pai não se manifeste dentro de um prazo de 30 dias ou negue a paternidade, o caso será encaminhado ao Ministério Público para investigação adicional.

Além da notificação dentro do prazo, a proposta torna obrigatórias outras medidas que antes eram facultativas. Dentre elas, destaca-se a oitiva da mãe e a atuação do Ministério Público nas investigações. O projeto também aborda a questão do reconhecimento de paternidade para filhos maiores, estabelecendo que a concordância da pessoa é necessária para que essa relação seja oficialmente reconhecida. Para filhos menores de idade, existe a possibilidade de questionar o reconhecimento após completarem 18 anos ou se tornarem legalmente independentes.

Agora, a proposta, que se originou no Senado, retornará para análise dos senadores devido às alterações realizadas pela Câmara. Este processo poderá permitir novos ajustes e assim garantir que os objetivos da nova regulamentação sejam plenamente atendidos. Após essa revisão, se aprovada, o texto seguirá para sanção presidencial e poderá entrar em vigor, trazendo um novo paradigma à abordagem da paternidade no Brasil.

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