CAMARA DOS DEPUTADOS – Câmara aprova projeto que exclui imagens íntimas de agressores para proteção de vítimas de violência doméstica

Em um avanço significativo em prol da proteção das mulheres, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que visa a exclusão imediata de fotos e vídeos íntimos alojados, tanto online quanto offline, por agressores de violência doméstica. A medida é uma resposta direta à necessidade de salvaguardar a privacidade e a intimidade das vítimas, permitindo que elas indiquem quais conteúdos devem ser eliminados quando estiverem sob ameaça.

Ao abranger materiais que incluem nudez, atos sexuais e outras imagens de caráter privado, o projeto não só facilita a proteção das mulheres, mas também institui um protocolo claro: a polícia terá a responsabilidade de verificar e assegurar que o conteúdo seja removido. Caso o agressor se recuse a cumprir a ordem ou se mostrem sinais de descumprimento, a apreensão do material poderá ser requisitada para perícia.

A proposta também vai além da remoção desse tipo de conteúdo, incluindo a proibição de postagens ofensivas e difamatórias que possam expor a intimidade da vítima nas redes sociais. Este novo texto altera a Lei Maria da Penha, incluindo a exclusão de imagens íntimas como uma medida protetiva de urgência que deve ser imediatamente aplicada pelo juiz contra o agressor.

O foco da relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), foi consolidar duas outras propostas em um único substitutivo. A deputada ressaltou a gravidade da violência contra a mulher mediada por tecnologia, que tem consequências psicológicas e sociais devastadoras. Conforme suas palavras, a tecnologia, embora possa empoderar, também é utilizada como ferramenta de agressão. Globalmente, 66% das mulheres relataram ter sido vítimas de formas variadas de violência, incluindo assédio e abusos digitais.

Além das medidas de exclusão de conteúdos, o projeto prevê a implementação de campanhas permanentes para a prevenção da violência online contra as mulheres em âmbito federal, estadual e municipal. O aumento das medidas protetivas de urgência, que subiram 6,6% de 2023 a 2024, indica a urgência da questão, assim como o aumento de 10,8% nos casos de descumprimento dessas ordens.

A próxima etapa para que esse projeto se torne lei é sua análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, após a qual precisará passar pela aprovação dos deputados e senadores. Essa iniciativa é um passo importante na luta contra a violência de gênero e na promoção de um ambiente digital mais seguro para as mulheres.

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