Desafios na Indústria do Tabaco: Setor Enfrenta Ameaças e Impactos Econômicos
Em uma audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, representantes de vários segmentos da cadeia produtiva do tabaco expressaram séria preocupação com os desafios que o setor enfrenta atualmente. O foco do debate, requerido pelo deputado Heitor Schuch (PSD-RS), foi o risco iminente ao sistema integrado de produção, que, segundo ele, está ameaçado pelo crescimento do número de produtores independentes e pela elevada carga tributária.
O sistema integrado de produção do tabaco, que existe há mais de um século, abrange toda a cadeia produtiva – desde o cultivo até a fabricação de produtos derivados, como cigarros. Este modelo é considerado vital para a manutenção do equilíbrio entre produção e demanda, além de fornecer assistência técnica aos agricultores e garantir a qualidade dos insumos utilizados. O deputado Schuch destacou que a recente expansão no número de produtores independentes, que já ultrapassa 20% do total, agrava a situação e pode desestabilizar o setor.
“Neste momento, estamos vendo uma produção contínua de tabaco ao longo do ano. Embora isso possa beneficiar a indústria, não oferece os mesmos ganhos para os produtores. O crescimento dos agricultores independentes está, de fato, influenciando a dinâmica do mercado”, afirmou Schuch, mencionando a significativa queda nos preços do tabaco, que despencou de R$ 340 para R$ 260 por arroba nos últimos meses.
Por outro lado, o presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco, Gilson Becker, criticou o aumento da tributação como uma medida contraproducente. Ele alertou que o preço da carteira de cigarros mais acessível poderá saltar de R$ 6,50 para R$ 11, o que, segundo Becker, poderá levar consumidores de baixa renda a buscar opções mais baratas, como produtos contrabandeados.
O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins, Rangel Marcon, também se manifestou, enfatizando a necessidade de diálogo entre o governo e o setor antes da implementação de quaisquer novas medidas. Ele lembrou que o aumento da carga tributária pode ampliar o mercado ilegal de cigarros, que não gera empregos ou receita para o país. “As mudanças regulatórias que estão sendo propostas geram uma inquietação entre os trabalhadores. O aumento nos impostos tende a agravar o mercado ilícito, que compromete tanto a economia quanto o emprego”, disse Marcon.
Em um contexto em que o governo federal arrecadou R$ 24 bilhões em impostos sobre o tabaco no ano anterior, a situação é preocupante. As informações indicam que a renda dos produtores do setor foi de R$ 14 bilhões, evidenciando a complexidade da relação entre a tributação e a saúde econômica dos envolvidos na produção e comercialização do tabaco. Os próximos passos, portanto, exigem uma atenção cuidadosa para que se encontre um equilíbrio que beneficie tanto o setor produtivo quanto os consumidores.





