O ministro enfatizou que não deve haver transição prolongada para a nova jornada, sugerindo que o ideal seria uma implementação que não ultrapassasse 30 ou 60 dias, visto que os debates sobre o tema já estão em andamento há mais de um ano. “Se eu fosse o relator, redigiria que a mudança deve ser feita ‘sem quaisquer transições’”, ressaltou Boulos.
A deputada Fernanda Melchionna, do PSOL, expressou preocupação com tentativas de desvirtuar as propostas, mencionando emendas que poderiam criar obstáculos à implementação do fim da escala 6×1. Ela alertou para a possibilidade de uma chamada “Bolsa Patrão”, uma proposta de compensação aos empregadores que poderia atrasar a mudança.
Boulos também contestou críticas feitas por empresários em relação à produtividade, citando estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Sebrae que desestabilizam esses argumentos. O ministro citou ainda a experiência da Islândia, que adotou a jornada 4×3 com sucesso. Ele argumentou que o Brasil vive uma oportunidade histórica para adequar a jornada de trabalho, proporcionando mais tempo livre para que os trabalhadores possam se dedicar à qualificação profissional e à vida familiar.
Rick Azevedo, vereador e criador do Movimento Vida Além do Trabalho, compartilhou sua experiência pessoal, criticando as longas jornadas de trabalho que dificultam o acesso à educação e ao desenvolvimento pessoal. “Estive preso nesse modelo escravocrata de trabalho”, lamentou.
Representantes do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) apresentaram pesquisas que correlacionam jornadas excessivas com problemas de saúde e pressão sobre a Previdência Social. Entretanto, o deputado Rodrigo da Zaeli, do PL, questionou a qualidade dos estudos apresentados, alegando que faltavam dados técnicos suficientes para embasar as mudanças propostas.
A próxima audiência da comissão, que será realizada na segunda-feira, dia 18, se concentrará nas perspectivas dos empregadores sobre as possíveis alterações na jornada de trabalho. Essa sequência de debates reflete a luta por um equilíbrio entre a eficiência econômica e o bem-estar dos trabalhadores, uma questão que se torna cada vez mais relevante no cenário atual.





