Karina Queiroz, do Instituto TecKids, enfatizou a importância de uma “mobilização coletiva” envolvendo pais, educadores, plataformas digitais e o poder público para garantir a eficácia do ECA Digital. Em suas palavras, Queiroz expressou sua preocupação sobre o cenário futuro: “Fico muito receosa de que, em um ano, estejamos discutindo as mesmas questões, com a criminalidade ainda presente. A colaboração entre todos é fundamental para que alcancemos resultados positivos.”
A delegada da Polícia Federal, Karoline Diniz, apresentou dados alarmantes sobre o aumento dos crimes contra crianças no ambiente digital. O Centro Nacional de Proteção da Criança e do Adolescente, que está sendo estruturado na PF, terá a tarefa de investigar denúncias recebidas dos provedores sobre delitos ocorridos na internet. Atualmente, a PF realiza cerca de quatro operações diárias, baseadas em relatórios enviados pela ONG norte-americana NCMEC, que registra informações alarmantes sobre crimes relacionados a crianças.
A delegada alertou os pais sobre os perigos da exposição dos filhos nas redes sociais, lembrando que muitos criminosos conseguem informações pessoais por meio de postagens. “Os crimes contra crianças e adolescentes estão aumentando drasticamente. Muitas vezes, as próprias vítimas ou seus familiares fornecem dados que os criminosos usam para aliciar”, explicou Diniz.
Outro ponto abordado na audiência foi a subnotificação de casos de abuso. Em 2025, o Disque 100 recebeu 37 mil denúncias de abuso sexual infantojuvenil, enquanto a NCMEC registrou quase um milhão de notificações. Renata Greco, do Instituto Liberta, salientou que 92% das crianças e adolescentes brasileiros têm acesso à internet, e 28% desse grupo começou a navegar antes dos seis anos. Ela citou um relatório da UNICEF que revela que uma em cada cinco crianças entre 12 e 17 anos foi vítima de abuso facilitado pela tecnologia.
A deputada Bia Kicis, uma das organizadoras do seminário, destacou que a proteção das crianças deve ser uma responsabilidade compartilhada entre pais, plataformas digitais e o Estado. Kicis defendeu que, enquanto o Brasil promove o acesso à internet, é essencial que haja mecanismos efetivos de proteção.
A audiência também trouxe à tona sugestões, como uma maior divulgação dos canais de denúncia, o uso de tecnologias de inteligência artificial para alertar os responsáveis e a importância de incluir a educação digital no currículo escolar. Maria Mello, do Instituto Alana, descreveu a aprovação do ECA Digital como um “marco histórico” na luta pela proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, sublinhando a necessidade urgente de ação conjunta para enfrentar os desafios que surgem nesta era digital.





