Contudo, essa discussão se dá em um ambiente de divergências significativas. Motta, em declarações recentes, deixou claro que a Câmara poderá priorizar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já sob análise, em detrimento do projeto de lei proposto pelo Executivo. A votação do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está agendada para o dia 22 de abril, logo após o feriado de Tiradentes, e será relatada pelo deputado Paulo Azi.
Entre os parlamentares que apoiam o governo, a tramitação do projeto de lei é vista como uma alternativa mais estratégica. O raciocínio por trás dessa preferência reside no fato de que, se o projeto for aprovado, o presidente tem a possibilidade de vetar trechos que não estejam alinhados com as diretrizes do governo. Por outro lado, uma vez que uma PEC é aprovada, ela é promulgada pelo Congresso e entra em vigor sem a necessidade de sanção presidencial, o que limita o controle do Executivo sobre o texto final.
O projeto de lei do governo, que visa a revogação do regime de trabalho 6×1, propõe uma redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários inalterados. Além disso, busca assegurar um mínimo de dois dias de descanso semanal remunerado, priorizando os finais de semana, e ampliar a aplicação dessas normas a diversas categorias regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Atualmente, cerca de 14 milhões de trabalhadores no Brasil estão sob o regime 6×1, enquanto aproximadamente 37 milhões cumprem jornadas que superam as 40 horas semanais. Essa iniciativa é defendida como uma forma de reestruturar a carga horária de trabalho, proporcionando um aumento no tempo de descanso dos trabalhadores, refletindo uma preocupação crescente com a qualidade de vida no ambiente laboral. A discussão em torno deste tema promete ser um dos principais desafios da pauta legislativa nos próximos dias.
