Câmara aprova proposta para substituir jornada de trabalho 6×1; debate sobre redução da carga horária já sinaliza acordos entre governo e Congresso.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, a admissibilidade de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1. O debate sobre essa mudança ocorre em um cenário de tensões entre o Congresso e o governo federal, que têm abordagens distintas quanto ao formato e à velocidade das modificações na jornada de trabalho. Com a aprovação da CCJ, o passo seguinte será a formação de uma comissão especial, onde os aspectos meritórios da proposta serão aprofundadamente discutidos.

O deputado Paulo Azi, relator da proposta e representante do União Brasil da Bahia, assinalou que a matéria é constitucional e defendeu a inclusão de uma fase de transição. Isso, segundo ele, permitirá que os setores econômicos se ajustem à nova realidade e ainda ofereceu sugestões para eventuais compensações ao setor produtivo. Essas questões, no entanto, serão debatidas de maneira mais extensa nas próximas etapas do trâmite legislativo.

Duas principais iniciativas estão em análise: uma proposta de Reginaldo Lopes (PT-MG), que preconiza a redução gradual da carga semanal de 44 para 36 horas ao longo de uma década, e outra de Erika Hilton (Psol-SP), que sugere uma jornada com escalas 4×3, ou seja, quatro dias de trabalho intercalados por três dias de descanso. Em meio a essas discussões, já se vislumbra a possibilidade de um consenso em torno de uma carga semanal de 40 horas e escala 5×2, alinhando-se à proposta que o governo federal enviou ao Congresso.

Antes do início da votação, Reginaldo Lopes manifestou a intenção de emendar sua própria proposta para torná-la mais próxima da iniciativa governamental. O projeto da administração Lula é uma tentativa de acelerar a discussão, que avançava lentamente e pode interferir nas pautas da Câmara, tendo urgência constitucional que exige análise em 45 dias.

Os parlamentares debatem intensamente a diminuição da jornada de trabalho, cuja popularidade entre a população obriga uma atenção cuidadosa à forma como as mudanças serão implementadas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que a condução da proposta deve ser prioritariamente do Congresso, e já sinalizou um desejo de acelerar esse processo.

Durante a deliberação, deputados da base, como Sâmia Bomfim e Tarcísio Motta, argumentaram que a mudança proposta poderia beneficiar não apenas o trabalhador, mas também a produtividade como um todo. Bomfim citou a CLT como exemplo de que modificações na jornada não necessariamente resultam em demissões. Por outro lado, parlamentares contrários, como Lucas Redecker, levantaram preocupações sobre como essa mudança impactará os custos para os empregadores.

O relator, no entanto, enfatizou a importância de abordar os efeitos positivos que a redução da jornada pode ter sobre os grupos mais vulneráveis do mercado de trabalho, incluindo mulheres e jovens. Azi também reconheceu as preocupações econômicas manifestadas durante a análise da proposta, afirmando que serão tratadas com a devida atenção na fase seguinte, onde a comissão especial examinará os impactos mais detalhadamente.

Sair da versão mobile