Durante sua visita, Leão XIV reconheceu a dor e a solidão dos detentos, afirmando: “Vocês não estão sozinhos. Suas famílias os amam e estão orando por vocês.” O Papa utilizou palavras que ecoaram entre os prisioneiros, muitos dos quais estavam recém-revestidos com uniformes laranja, reunindo-se em um pátio central que foi pintura recentemente, embora a realidade por trás das paredes da prisão seja bem diferente. Ao iniciar sua fala, a chuva começou a cair intensamente, como se a natureza estivesse também se unindo à sua mensagem de esperança.
Além de oferecer consolo, o Papa enfatizou a necessidade de uma justiça que não apenas puna, mas que promova a reabilitação e a reconstrução da vida dos indivíduos e das comunidades afetadas por crimes. “A verdadeira justiça não busca somente punir, mas também a restauração e a dignidade de todos os envolvidos”, disse.
A visita ao presídio ocorreu no final de uma turnê por quatro países africanos e surge em meio a crescentes atenções internacionais às preocupantes denúncias de abusos governamentais. A Guiné Equatorial, conhecida por sua história de autoritarismo e corrupção, teve seu sistema judiciário criticado por falta de independência e por práticas de detenção política arbitrária.
No mesmo dia, Leão XIV também celebrou uma missa em Mongomo, onde ele pediu aos cidadãos que trabalhassem para construir uma sociedade que promova a justiça e conceda espaço à liberdade. O evento em Mongomo foi marcado pela presença das figuras políticas mais proeminentes do país, incluindo o presidente Teodoro Obiang e seu filho, Teodoro “Teddy” Nguema Obiang, ambos envolvidos em controvérsias legais.
Ainda assim, a visita do Papa foi recebida com veementes apelos de grupos de direitos humanos, que solicitaram ações concretas em relação à repressão a dissidentes e à deportação de migrantes. Através de uma carta aberta, 70 organizações pediram ao Papa que tratasse a questão da deportação de migrantes pelos Estados Unidos, que frequentemente coloca essas pessoas em situações de vulnerabilidade extrema.
A visita de Leão XIV não só trouxe esperança aos detentos, mas também serviu como um momento crucial de reflexão sobre as realidades sociais e políticas da Guiné Equatorial, inspirando um clamor por mais liberdade e dignidade humana em um ambiente historicamente marcado pela opressão.
