Câmara Aprova Política Nacional de Minerais Críticos com Incentivos Fiscais de R$ 5 Bilhões e Fundo Garantidor de R$ 2 Bilhões antes de Encontro entre Lula e Trump

Na última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou um importante projeto que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Essa nova legislação prevê a concessão de até R$ 5 bilhões em incentivos fiscais entre 2030 e 2034. Além disso, permitirá a criação de um fundo garantidor com a participação da União de até R$ 2 bilhões. Essa estrutura visa viabilizar investimentos e melhorar o acesso ao crédito no setor mineral.

O debate sobre esse projeto ocorre em um contexto de crescente relevância global para os minerais críticos, que são fundamentais para setores estratégicos da economia e cuja oferta está frequentemente concentrada em poucos países. A listagem desses minerais inclui o lítio, essencial para baterias de veículos elétricos, o nióbio, utilizado em ligas metálicas para a indústria aeroespacial, e as terras-raras, um grupo de 17 elementos que têm importância crucial na tecnologia moderna.

O relator da proposta, deputado Arnaldo Jardim, destacou que seu trabalho para a aprovação da matéria envolveu um amplo diálogo entre os diversos partidos, buscando um consenso capaz de garantir amplo apoio. O texto final incorporou várias emendas, incluindo a suspensão da mineração em áreas de conflito e o fortalecimento da pesquisa na área mineral, demonstrando uma disposição para ouvir as demandas dos diferentes segmentos envolvidos.

Vale ressaltar que, apesar de um projeto anterior do governo que propunha a criação de uma estatal para a mineração de terras-raras ter sido excluído, a criação de um Comitê Especial de Minerais Críticos e Estratégicos foi garantida. Esse comitê terá funções de supervisão e homologações que permitirão ao governo avaliar os impactos econômicos e geopolíticos dos projetos minerários.

Em uma linha de raciocínio que permeou o debate, o líder do PT, deputado Pedro Uczai, expressou confiança na importância do projeto, que poderia proteger os interesses do Brasil em um contexto internacional. A provada do projeto é vista como um “trunfo” nas negociações entre o Brasil e os Estados Unidos, especialmente com a iminente reunião entre o presidente Lula e Donald Trump.

Os incentivos fiscais previstos podem chegar a 20% dos investimentos na cadeia produtiva mineral, sendo priorizados os projetos que contribuam para a geração de valor no Brasil. Adicionalmente, empresas do setor terão obrigações ligadas à responsabilidade social e ambiental, como a destinação de um percentual de receita para pesquisa e inovação.

Esse cenário coloca o Brasil em uma posição estratégica, especialmente em uma época em que a disputa por recursos minerais críticos se intensifica globalmente. A aprovação dessa legislação é considerada uma grande contribuição para o fortalecimento da indústria mineral nacional e pode estimular parcerias estrangeiras, essenciais para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.

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