Caixa-preta de avião da VoePass não registrava oito parâmetros cruciais, diz Anac

Recentes investigações revelaram fatos alarmantes sobre a segurança dos voos operados pela VoePass. Em março de 2023, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) concedeu uma licença temporária para que os modelos ATR 72-500 e ATR 72-121, ambos utilizados pela companhia, operassem sem registrar oito tipos de informações cruciais em suas caixas-pretas. Esse prazo de 18 meses para a regularização desses parâmetros, que são mandatórios pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil, gerou apreensão no setor.

O modelo ATR 72-121, envolvido no trágico acidente em Vinhedo, São Paulo, no dia 9 de agosto, que resultou na morte de 62 pessoas, é o mesmo que recebeu a controversa licença. Segundo fontes, a caixa-preta do avião não estava armazenando dados vitais, como informações do navegador de voo, aceleração normal, longitudinal e lateral, engajamento do piloto automático, pressão hidráulica e temperatura do ar externo. Esses dados são essenciais para a realização de uma análise aprofundada sobre o desempenho da aeronave e as circunstâncias do voo.

Na visão de especialistas da aviação, a ausência desses dados pode comprometer significativamente as investigações de acidentes e a segurança operacional. A determinação da Anac foi de que a VoePass deveria adaptar suas aeronaves para registrar todos os 91 parâmetros exigidos dentro do período concedido. Contudo, a situação suscita questionamentos sobre a eficácia e a rigorosidade da fiscalização em relação à segurança aérea.

O sinistro ocorrido em Vinhedo trouxe à tona discussões acaloradas entre autoridades e a comunidade de aviação sobre a necessidade de uma revisão mais restrita dos protocolos de segurança e da transparência das concessões especiais emitidas pela Anac. A medida temporária, que deveria funcionar como uma solução provisória, terminou por levantar dúvidas sobre a responsabilidade das empresas aéreas frente às normas de segurança preestabelecidas.

O acidente não só enlutou famílias e amigos das vítimas, mas também reacendeu um alerta sobre a importância de um sistema de aviação totalmente confiável e seguro. As reações da sociedade e dos profissionais do setor provavelmente levarão a uma reavaliação dos processos regulatórios. A Anac e outras entidades envolvidas terão que esclarecer e ajustar suas políticas para assegurar que a segurança nunca seja comprometida em benefício de qualquer outra consideração.

É imperativo que sejam adotadas medidas imediatas para corrigir estas falhas e que as investigações sejam conduzidas com a máxima transparência e rigor técnico, garantindo que tragédias semelhantes não voltem a ocorrer.

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