Cacique Raoni, ícone indígena, será submetido a cirurgia delicada em São Paulo; estado de saúde é grave, mas estável após internação na UTI.

O cacique Raoni Metuktire, uma das principais vozes em defesa dos direitos indígenas no Brasil, enfrenta um momento crítico de saúde. Com 94 anos, ele será submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal neste sábado, 20 de junho, a partir das 14h30, no Hospital São Paulo, na capital paulista, onde se encontra internado desde o dia 19. O quadro clínico do líder indígena é grave, embora estável, e inclui também desidratação e pneumonia aspirativa, sendo tratado com antibióticos e suporte clínico intensivo.

A transferência do cacique para São Paulo ocorreu após sua internação inicial em Sinop (MT), onde ele foi internado por apresentar vômitos, dor abdominal intensa e tosse. Exames realizados no Hospital Dois Pinheiros identificaram não apenas uma obstrução intestinal, mas também alterações na função renal e sinais de uma infecção severa. Esta situação exigiu que Raoni fosse transferido para uma unidade especializada em cirurgias, a fim de garantir o tratamento adequado.

De acordo com os médicos, Raoni se adaptou bem ao tratamento até o momento, não apresentando febre durante a noite e conseguindo respirar sem auxílio de aparelhos. A equipe médica antecipou que, após a cirurgia, uma nova avaliação sobre seu estado de saúde será divulgada, a dependência de mudanças significativas em seu quadro.

O médico Douglas Yanai, que acompanhou Raoni desde Sinop, ressaltou que, apesar da idade avançada e do histórico complicado de saúde, o cacique é um paciente forte. Ele já enfrentou diversas adversidades ao longo de sua vida e, segundo o médico, sua atual condição demanda monitoramento constante.

A história de Raoni é emblemática, refletindo tanto as lutas enfrentadas pelos povos indígenas no Brasil quanto a necessidade urgente de atenção à saúde de líderes que dedicam suas vidas à defesa de suas comunidades e de seus direitos. O resultado da cirurgia será uma incógnita que pode impactar não apenas sua vida pessoal, mas também a continuidade de sua trajetória como porta-voz das questões indígenas no país.

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