BRICS avança com proposta de novo sistema de pagamentos, mas especialista ressalta que eficácia ainda precisa ser testada.

Na recente 16ª Cúpula do BRICS, realizada em Kazan, a proposta de um novo sistema de pagamentos despertou o interesse de analistas e líderes mundiais. O vice-presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Xangai, Nelson Wong, destacou que, embora a criação deste sistema possa ser um avanço significativo, ainda é necessário que sua eficácia e viabilidade sejam testadas na prática. Ele enfatiza que o novo sistema deve ser baseado em uma infraestrutura sólida para se tornar uma alternativa viável ao SWIFT, a plataforma reconhecida internacionalmente que facilita pagamentos entre bancos de diferentes países de maneira rápida e segura.

A implementação do sistema, denominado BRICS Clear, foi um dos principais pontos discutidos na cúpula. Os líderes dos países-membros concordaram em avançar com a exploração dessa nova infraestrutura independente, que promete facilitar os pagamentos e depósitos transfronteiriços. Wong também desconsiderou críticas que afirmam que o uso de moedas nacionais em transações comerciais representa um retrocesso. Para ele, essa prática pode ser uma resposta estratégica às atuais dinâmicas econômicas globais, onde muitos países buscam alternativas ao dólar americano e às instituições financeiras ocidentais.

No decorrer da cúpula, o presidente russo Vladimir Putin apresentou a ideia de uma nova plataforma de investimentos do BRICS, com o intuito de fortalecer as economias dos países membros e oferecer apoio financeiro às nações do Sul e do Leste Global. Este movimento é visto como uma tentativa de desestabilizar a hegemonia ocidental e de ampliar a influência do BRICS no cenário internacional.

Wong acredita que, para que o novo sistema germine e desenvolva adesão considerável, ele deve “resistir ao teste do tempo”. A introdução de alternativas como o BRICS Clear e o novo sistema de pagamentos pode sinalizar uma mudança de paradigma nas relações financeiras globais, permitindo que países busquem maior autonomia em suas transações comerciais e financeiras, especialmente diante de um panorama internacional cada vez mais polarizado. Com o apoio de líderes influentes e a urgência demonstrada na cúpula, o futuro do sistema de pagamentos do BRICS parece promissor, mas exige paciência e resiliência para se firmar como uma realidade no mercado global.

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