Ex-presidente do BRB busca acordo de delação premiada enquanto é investigado por propina em esquema com o Banco Master e solicita transferência de penitenciária.

A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) manifestando seu interesse em firmar um acordo de delação premiada. Essa ação ocorre em meio à investigação sobre o Banco Master, envolto em sérias suspeitas de fraudes financeiras. A petição, assinada pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, expressa a disposição do executivo em colaborar com as autoridades, no entanto, ressalta que essa colaboração está condicionada a algumas variáveis que precisam ser atendidas.

Os advogados argumentam que a proposta de delação deve ser acompanhada da possibilidade de que Costa seja ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Isso garantiria a ele o direito à autodefesa, permitindo que sua defesa técnica funcione plenamente dentro das normas legais, principalmente no sentido de preservar a confidencialidade entre advogado e cliente. Além disso, a defesa planeja solicitar a transferência de Costa do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o que, segundo eles, facilitaria sua colaboração.

Uma estratégia crucial para Costa é fechar o acordo antes do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, a fim de garantir benefícios e reduzir possíveis penalidades. Para que a delação seja aceita, Costa deve apresentar informações inéditas aos investigadores, além de implicar indivíduos que estariam envolvidos em níveis superiores na suposta trama criminosa.

A relação entre o BRB e o Banco Master é complexa e problemática. O Conselho de Administração do BRB havia aprovado a aquisição de 58% do capital do Master, mas essa compra foi barrada pela Justiça, que posteriormente reverteu sua decisão. A investigação da Polícia Federal se concentra em um alegado esquema de fraudes bilionárias, que inclui a venda de títulos de crédito sem lastro. Documentos recentes indicam que Costa estaria envolvido na negociação de propriedades avaliadas em R$ 146,5 milhões, que poderiam ter funcionado como propinas.

Em um desdobramento recente, o STF decidiu por unanimidade manter a prisão preventiva de Paulo Henrique, que enfrenta acusações de ter recebido R$ 146 milhões em propinas relacionadas a favorecimentos ao Banco Master em negociações com o BRB. As investigações também revelam indícios de gestão fraudulenta e corrupção, refletindo um panorama alarmante sobre as práticas de governança e compliance no sistema financeiro nacional. A situação de Costa, a delação e as implicações da sua colaboração com as autoridades continuaram a ser acompanhadas de perto, dada a gravidade das alegações que envolvem sua gestão.

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