Durante os oito dias de atendimento, serão realizadas 210 consultas em oftalmologia, 200 em clínica médica, 130 em pediatria e 60 em saúde da mulher. Além disso, a equipe médica ficará encarregada de realizar 555 exames, que incluirão análises bioquímicas, exames oftalmológicos e ultrassonografias. Este atendimento será realizado de forma eletiva, com a intenção de reduzir a demanda reprimida por serviços especializados nessa localidade remota.
A operação ocorrerá no âmbito do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Porto Velho e é parte integrante do programa “Agora Tem Especialistas”, coordenado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), com o apoio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e da Associação Médicos da Floresta (AMDAF). Um total de 41 profissionais de saúde fará parte dessa iniciativa.
O DSEI Porto Velho contará com 24 profissionais dedicados à triagem, busca ativa de pacientes, administração de medicamentos e suporte logístico, enquanto a AMDAF disponibilizará 17 colaboradores, incluindo médicos especialistas e enfermeiros. Essa conjugação de esforços visa não apenas atender à demanda, mas também estruturar um atendimento adequado e eficiente no contexto específico das comunidades indígenas.
A ação no território Pirahã é um passo importante na segunda etapa das expedições do SUS, que visam facilitar o acesso à assistência médica em áreas indígenas de difícil alcance. Segundo a secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, a expansão dos atendimentos em áreas isoladas é uma prioridade, garantindo que os indígenas recebam cuidados diretamente em suas comunidades, respeitando suas particularidades culturais.
A população Pirahã está distribuída em cinco aldeias e duas roças, com as atividades sendo realizadas principalmente nas aldeias Forquilha Grande e Piquiá, que abrigam cerca de 68% da população local. A abordagem requer uma logística complexa, envolvendo transporte tanto terrestre quanto fluvial, que inicia em Porto Velho, passando por Humaitá, e se estendendo por 85 quilômetros através da Rodovia Transamazônica até a Ponte do Maici, de onde as equipes seguirão por quatro horas de barco até as aldeias pirahãs.
Essa iniciativa representa a continuidade do esforço do SUS em levar assistência médica a regiões remotas, onde as barreiras geográficas dificultam o acesso aos serviços de saúde. Vale lembrar que ações anteriores, como a expedição realizada entre 23 e 30 de julho na Terra Indígena Andirá-Marau, resultaram em mais de 1.300 consultas e quase 3.000 exames, o que demonstra a importância e a eficácia desse tipo de ação.
Com esse foco na atenção de saúde indígena, o SUS reafirma seu compromisso de atuar em conformidade com diretrizes que respeitam a autonomia e a autodeterminação dos povos indígenas, garantindo que as intervenções ocorram em seus territórios e minimizando a necessidade de deslocamentos que podem ser prejudiciais.
