Diante desse cenário, o governo prevê a necessidade de acionar usinas termelétricas em várias regiões do país, uma medida que pode ser crucial para garantir a continuidade da geração de energia. A expectativa é que o fenômeno reduza a capacidade de armazenamento de água em reservatórios de hidrelétricas, como Jirau e Belo Monte, exigindo um planejamento estratégico para assegurar a distribuição de combustíveis.
As autoridades estimam que os gastos necessários para mitigar os impactos do El Niño ultrapassem R$ 1,3 bilhão. Esse montante será destinado a uma série de ações, incluindo R$ 850 milhões para a aquisição de estoques de arroz e milho, R$ 65 milhões para a compra de cestas básicas, além de investimentos em prevenção e combate a incêndios e saúde pública.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou a importância de preparar-se para os piores cenários, enfatizando que a proatividade é fundamental diante da imprevisibilidade das mudanças climáticas. Segundo ele, a antecipação de medidas é preferível a uma resposta reativa a desastres naturais.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, alertou para a vulnerabilidade do Brasil em relação à dependência de rodovias e rios para a logística de combustíveis, especialmente no Norte, onde a queda nos níveis dos rios pode complicar ainda mais a situação. Com o aumento da escassez hídrica, a geração de energia hidrelétrica pode ser severamente afetada, obrigando o governo a depender das termelétricas, que demandam diesel.
O fenômeno El Niño é caracterizado por um aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial. Quando essa temperatura supera 0,5 ºC em relação à média histórica, o evento já é considerado significativo, e previsões atuais indicam que este ano poderemos enfrentar um fenômeno extremo, com temperaturas acima de 2 ºC.
A preparação do governo, tanto em termos financeiros quanto estratégicos, visa garantir a segurança alimentar e energética do país diante das inevitáveis oscilações climáticas que teremos pela frente.
