Brasil propõe aumentar mistura de etanol na gasolina para 32%, visando reduzir importações e fortalecer segurança energética, revela ministro de Minas e Energia.

O governo brasileiro está em vias de propor um aumento na mistura de etanol anidro na gasolina, passando de 30% para 32%, uma estratégia que visa reduzir a dependência de importações de gasolina. O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em um evento do setor sucroenergético realizado em Uberaba, Minas Gerais.

Segundo Silveira, a sugestão de aumentar a mistura já possui respaldo técnico e será examinada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para maio deste ano. Tests realizados durante a implementação do E30 atestaram a viabilidade da expansão proposta, que se alinha às diretrizes governamentais de fortalecimento da segurança energética do país.

Estima-se que a mudança poderá reduzir em até 500 milhões de litros por mês a necessidade de compras externas de gasolina, um número considerado suficiente para auxiliar o Brasil a alcançar a autossuficiência em abastecimento. No entanto, a proposta ainda precisa de aprovação formal do CNPE. Caso aprovada, a adição do E32 terá um caráter excepcional e temporário, sendo válida inicialmente por 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

Além do impacto nas importações, o Ministério de Minas e Energia acredita que essa ampliação pode trazer benefícios logísticos. A diminuição da entrada de gasolina estrangeira poderá liberar infraestruturas atualmente utilizadas para importação, possibilitando uma distribuição mais eficiente de outros combustíveis, como o diesel.

Esta proposta é uma evolução do marco regulatório sobre os combustíveis, que desde 2025 já havia elevado a proporção de etanol de 27,5% para 30%. Nesse contexto, o governo está se esforçando para aumentar a utilização de biocombustíveis, contribuindo para a transição energética e a redução de emissões no setor de transportes.

O anúncio ocorre em um cenário de volatilidade no mercado internacional de energia, especialmente devido a tensões no Oriente Médio, que impactaram os preços do petróleo e a gasolina globalmente. O governo brasileiro, diante disso, busca mitigar os efeitos internos através de ajustes tributários e estímulos ao uso de biocombustíveis.

Enquanto isso, o setor sucroenergético projeta um crescimento significativo em produção. Em Minas Gerais, espera-se que a safra de açúcar e etanol alcance 83,3 milhões de toneladas, registrando uma alta de 11,6% em comparação ao ciclo anterior. Nacionalmente, a produção de etanol poderá aumentar em cerca de 4 bilhões de litros, robustecendo a capacidade do Brasil de sustentar essa nova mistura proposta.

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