Brasil Necessita de Juros Mais Altos para Controlar Inflação, Afirma Presidente do Banco Central em Audiência no Senado

Em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, trouxe à tona os desafios estruturais que o Brasil enfrenta na luta contra a inflação. No encontro, realizado no dia 19 de maio de 2026, Galípolo destacou que, apesar da taxa básica de juros, a Selic, estar fixada em 14,5% ao ano, o Brasil ainda carece de mecanismos eficientes para controlar a inflação, que não foi alcançada em quatro dos últimos seis anos.

O presidente do BC admitiu que a atual política monetária pode ter sido excessivamente conservadora, sugerindo que uma elevação ainda maior da taxa de juros poderia ter sido necessária para atingir as metas inflacionárias. Ele sublinhou que as particularidades da economia brasileira tornam a aplicação de políticas monetárias mais eficazes em outros países menos eficazes em solo nacional.

Galípolo também abordou o impacto econômico da pandemia de COVID-19 sobre o endividamento das famílias brasileiras. De acordo com ele, a drástica queda na atividade econômica forçou muitos consumidores a recorrerem a empréstimos e financiamentos para manter o consumo. Ele enfatizou que o uso de cartões de crédito tem se intensificado, com a média de cartões por pessoa aumentando substancialmente, em parte devido à inclusão financeira promovida pela plataforma de pagamentos instantâneos, o Pix. Esta ferramenta, segundo o presidente do BC, permitiu que um número expressivo de cidadãos antes excluídos do sistema bancário tivesse acesso a serviços financeiros essenciais.

Durante a audiência, Galípolo fez referência ao caso do Banco Master, minimizando os temores sobre os riscos associados à sua liquidação, classificando a instituição como parte de uma “terceira divisão” do sistema financeiro, que não apresenta uma ameaça sistêmica. Ele reiterou que não permitirá que o Banco Central se torne um espaço político, defendendo uma atuação independente da instituição em relação a temas eleitorais e políticos.

Diante desse panorama, Galípolo reafirma a necessidade de uma reflexão profunda sobre a política monetária brasileira e seus impactos na economia, especialmente em tempos de incerteza e ajuste fiscal.

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