BRASIL – “Mulheres Enfrentam Silêncio e Medo: Relação da Violência Sexual e Acolhimento nos Hospitais de Minas Gerais”

Luta e Superação: A Violência contra Mulheres e o Papel do Atendimento Especializado

Seis meses de silêncio e dor marcaram a vida de L.G., uma mulher que decidiu finalmente buscar apoio no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) após ser vítima de violência sexual. O agressor, um conhecido, transformou uma simples carona em um pesadelo. A vergonha e o medo a mantiveram calada, enquanto enfrentava com bravura o tratamento da mãe, debilitada por um câncer. Esse relato de L.G. não é único; em 2025, o Brasil registrou uma média alarmante de 12 mulheres vítimas de violência diariamente, segundo dados de um estudo recente.

A gravidade da situação é alarmante, levando à criação de campanhas como o Agosto Lilás, que visa conscientizar a sociedade e celebrar a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, ferramenta essencial na luta contra a violência de gênero no país.

A violência contra a mulher se apresenta de inúmeras formas – física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, podendo culminar em casos extremos como o feminicídio. O HC-UFMG oferece um serviço de atenção integral, que inclui o programa “Para Elas, Por Elas, Por Eles, Por Nós”, voltado ao acolhimento e suporte às vítimas. Este projeto proporciona atendimento multiprofissional gratuito, permitindo um acesso facilitado aos cuidados necessários.

Natália Dantas, ginecologista e coordenadora do serviço, destaca a importância da assistência imediata: “A procura por atendimento deve acontecer o mais rápido possível. O tratamento inicial é crucial para evitar complicações, como Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)”, explica, ressaltando a eficácia da profilaxia quando o atendimento é realizado dentro de um prazo estabelecido.

Vítimas de outras formas de violência também são acolhidas pelo programa “Para Elas”, que busca empoderar e gerar renda através de oficinas em comunidades vulneráveis. Marilia Malaguth, coordenadora do projeto, observa que muitas mulheres relutam em se abrir sobre suas experiências, algumas até tendo dificuldades para reconhecer as diferentes formas de violência que sofrem.

Esse ciclo de violência, que muitas mulheres enfrentam, começa com tensões crescentes e culmina em agressões. A superação desse ciclo é um passo vital no restabelecimento da autoestima e da autoconfiança das vítimas. “Quando uma mulher consegue expressar sua história, inicia um processo de cura”, enfatiza Marilia.

Atendimentos similares são oferecidos em outros hospitais do Brasil, onde a abordagem multidisciplinar visa evitar que a mulher tenha que recontar seus traumas repetidamente, minimizando a revitimização. Tânia Vieira da Fonseca, ginecologista no HU de Rio Grande, reforça a necessidade de um atendimento integrado, que respeite a complexidade do impacto da violência na saúde e bem-estar da mulher.

Além do suporte emocional e psicológico, as mulheres têm direitos garantidos por legislações que asseguram atendimento médico gratuito e confidencial, além de proteção contra agressores. Infelizmente, muitas ainda hesitam em formalizar queixas por medo, como no caso de L.G., que optou por não fazer o boletim de ocorrência após engravidar do agressor e interromper a gestação de forma legal.

Refletindo sobre sua experiência, L.G. encoraja outras mulheres a buscarem apoio. “Sentir vergonha e medo é natural, mas a ajuda está disponível. O acolhimento que encontrei foi além do que eu imaginava”, conclui. Essa força coletiva é essencial para quebrar o ciclo da violência e promover uma mudança real na sociedade.

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