BRASIL – Morre Elza Berquó, pioneira da demografia brasileira, aos 100 anos e responsável por pesquisas que moldaram políticas sociais no país.

Falece Elza Salvatori Berquó, ícone da demografia brasileira aos 100 anos

O Brasil perdeu hoje, 16 de outubro, uma de suas mais respeitadas cientistas sociais. Elza Salvatori Berquó, demógrafa de renome e integrante do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), faleceu em São Paulo aos 100 anos. Com uma trajetória acadêmica que se estende por sete décadas, Berquó foi pioneira na investigação da queda da fecundidade e no reconhecimento do envelhecimento da população brasileira.

Natural de Guaxupé, no estado de Minas Gerais, Berquó começou sua jornada acadêmica ao se formar em matemática na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 1947. Em seguida, adentrou a área da bioestatística, concluindo seu doutorado em 1958 na prestigiada Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Desde então, sua carreira se consolidou como uma das mais influentes no campo da demografia, sendo reconhecida por sua capacidade ímpar de transformar debates acadêmicos em políticas públicas efetivas.

Berquó destacou-se por institucionalizar a Demografia no Brasil, atuando como professora titular na Universidade de São Paulo (USP) e assumindo importantes funções de liderança. Em 1982, ela fundou o Núcleo de Estudos de População (NEPO) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde dirigiu por muitos anos. Sua produção acadêmica se tornou referência global, sendo responsável pela coordenação de grandes pesquisas nacionais e pela formação de uma nova geração de mestres e doutores que hoje ocupam posições de destaque nas ciências sociais.

Como um dos legados mais significativos de sua carreira, está a criação do Prêmio Elza, que será lançado até o final de 2026 pela Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD). Este prêmio reconhece iniciativas que promovem os direitos sociais, evidenciando o impacto duradouro de Berquó na formulação de políticas públicas e na pesquisa demográfica.

De 1994 a 2003, Elza presidiu a CNPD, transformando-a em um espaço estratégico para discussão e articulação diretamente ligados às questões populacionais e de desenvolvimento. Em nota, a secretária-executiva da CNPD, Evilene Paixão, expressou a gratidão do governo brasileiro pelas inestimáveis contribuições de Berquó para o avanço das políticas sociais no país.

A demografia brasileira sente profundamente essa perda, mas o legado de Elza Salvatori Berquó continuará a inspirar gerações futuras em sua busca por justiça social e desenvolvimento sustentável.

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