BRASIL – Jornalistas Passam por Treinamento do Exército para Coberturas em Territórios de Conflito e Garantia de Segurança em Ambientes Hostis

A Preparação de Jornalistas para o Desafio de Cobertura em Conflitos Armados

Cobrir um conflito armado é uma tarefa que vai muito além do uso de tecnologia avançada e da coragem dos profissionais de imprensa. Em contextos hostis, a fronteira entre uma reportagem de qualidade e um incidente perigoso se torna extremamente fina. Para reduzir esses riscos e equipar os jornalistas com as habilidades necessárias, o Exército Brasileiro realiza anualmente o Estágio de Preparação de Jornalistas e Assessores de Imprensa para Atuação em Áreas de Conflito (EPJAIAC).

Recentemente, o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx), em colaboração com o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) e o Comando Militar do Leste (CML), concluiu uma nova edição desse estágio, que ocorreu entre os dias 13 e 17 de julho de 2026, no Rio de Janeiro. Esse treinamento intensivo reuniu diversos profissionais de mídia em um ambiente de imersão teórica e prática rigorosa, com o objetivo principal de garantir que saibam como atuar de maneira segura em cenários hostis, especialmente em operações de paz das Nações Unidas.

As atividades do estágio foram projetadas para oferecer uma mescla eficiente de teoria e simulações práticas. Durante cinco dias, os participantes se dedicaram a uma intensa carga horária que se estendeu pelos períodos da manhã, tarde e noite. O currículo incluiu oficinas sobre primeiros socorros, Atendimento Pré-Hospitalar (APH), procedimentos para áreas com minas, combate a incêndios e o uso apropriado de equipamentos de proteção. Uma das aulas mais impactantes foi a de “progressão em alto risco”, onde os jornalistas experimentaram a real dificuldade de se deslocar sob tensão, equipados com coletes e capacetes balísticos enquanto acompanhavam militares em um cenário de conflito simulado.

Embora o EPJAIAC tenha inicialmente sido concebido para jornalistas internacionais, vem evoluindo para se alinhar à realidade da segurança pública no Brasil. Isso significa que os participantes são preparados para coberturas complexas, tanto fora do país quanto em áreas vulneráveis nacionais. Ao longo do estágio, jornalistas de diversos veículos e regiões brasileiras compartilham não apenas alojamentos, mas também os mesmos desafios, tornando a experiência uma verdadeira troca de vivências.

O jornalista Filipe Brandão, da Rede Record, elogiou a estrutura do estágio, destacando a intensidade do aprendizado e a importância da troca de experiências entre os participantes. Segundo ele, a prática ativa e a busca por feedback contínuo foram fundamentais para aplicar as habilidades adquiridas de maneira eficaz.

O trabalho do CCOPAB não é formar jornalistas em técnicas de combate, mas sim oferecer uma compreensão mais profunda sobre as dinâmicas de uma operação militar e sobre como se comportar em locais degradados. Com esse conhecimento, os jornalistas conseguem se resguardar e, ao mesmo tempo, fazer a cobertura necessária, gerando notícias de qualidade e relevantes, mantendo sua segurança pessoal em foco.

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