Jéssica de Freitas e Gonzaga da Silva, especialista em história naval e estudos marítimos, ressalta que o lançamento do MANSUP representa uma etapa importante na execução da Estratégia Nacional de Defesa. Essa estratégia visa não apenas o desenvolvimento tecnológico para a indústria de defesa, mas também a promoção da inovação e do conhecimento no setor. Além disso, ela enfatiza que o MANSUP eleva a capacidade letal da Marinha do Brasil, essencial para desestimular ameaças à soberania nacional nas águas jurisdicionais.
A implementação do MANSUP ocorre em um momento crítico, especialmente considerando as recentes negociações do governo brasileiro para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas, uma área crucial para os interesses estratégicos do país. A proteção dessa região, rica em biodiversidade e recursos energéticos, torna-se vital para garantir a integridade territorial do Brasil e a segurança de suas rotas comerciais, que dependem em grande parte da estabilidade nas águas da Amazônia Azul.
Especificamente, a Marinha do Brasil implementou uma estratégia naval voltada para a dissuasão, reconhecendo a necessidade de um arsenal robusto para proteger seu território marítimo. O MANSUP, assim, não apenas fortalece a capacidade de resposta militar do país, mas também posiciona o Brasil como um jogador relevante no mercado internacional de defesa. O investimento do governo, que supera os 100 bilhões de reais, é um indicativo do comprometimento em desenvolver uma base industrial nacional mais independente em termos de tecnologia de defesa.
Entretanto, especialistas como Eduardo Siqueira Brick, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, alertam que, enquanto o MANSUP é um avanço importante, a verdadeira eficácia da defesa do Brasil depende de uma base logística robusta. Ele argumenta que, para que o país enfrente ameaças reais, será necessário um esforço contínuo em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, além da aquisição de equipamentos que sejam essencialmente brasileiros.
Brick também é crítico em relação à dependência de mísseis especializados para a proteção da Amazônia Azul, sugerindo que navios de patrulha e monitoramento são igualmente, se não mais, necessários para garantir a segurança nas águas territoriais. A discussão em torno do MANSUP ilustra a complexidade da defesa nacional em um cenário global cada vez mais desafiador, ressaltando a necessidade de uma abordagem integrada que leve em conta tanto a modernização do armamento quanto a construção de uma infraestrutura defensiva sólida e autossuficiente.