Entretanto, é importante destacar que entre 2020 e 2022, 3,5% da população brasileira vivenciou fome. O relatório foi revelado durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, em Roma, e a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, enfatizou que os resultados demonstram que, com a priorização do combate à fome, pobreza e desigualdade, avanços consideráveis são possíveis.
José Graziano da Silva, fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor da FAO, comemorou a redução da sub Nutrição. Ele apontou que, pela prevalência da subnutrição, atualmente menos de 2,5% da população brasileira enfrenta essa condição, estimando que, na verdade, esse número pode estar em torno de 0,6% a 0,7%.
O relatório também revelou que a insegurança alimentar severa no Brasil tem diminuído, agora afetando 0,6% da população, ou cerca de 1,2 milhão de pessoas, a menor taxa já registrada. Apesar dos avanços, Graziano alertou que ainda existe uma parcela significativa da população vivendo em vulnerabilidade alimentar e que mais de 1 milhão de pessoas persistem em situação de insegurança alimentar severa, enfatizando a urgência de intervenções.
A prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave na população total do Brasil foi de 9,6%, correspondendo a aproximadamente 20,3 milhões de pessoas. Comparando aos triênios anteriores, essa redução representa um avanço considerável. A ministra Machiaveli destacou que o combate à fome exige uma abordagem integrada, incluindo aumento da renda e fortalecimento da segurança alimentar.
O custo de uma alimentação saudável também foi abordado no relatório, mostrando que 21,1% da população não consegue arcar com esse tipo de dieta, totalizando cerca de 44,8 milhões de pessoas. Embora os números demonstrem uma melhoria nas condições de acesso a alimentos saudáveis, a instabilidade dos preços continua a ser uma preocupação, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Em termos de nutrição infantil, o estudo sublinha que o Brasil apresentou um percentual positivo na diversidade alimentar entre crianças, porém, indicadores como desnutrição grave e baixa taxa de aleitamento materno exclusivo ainda são motivo de alerta.
No panorama global, o relatório assinala uma redução na proporção de pessoas em situação de fome, embora a África continue enfrentando um cenário alarmante, com aproximadamente 309 milhões de pessoas em fome, representando 20% da população regional. As diferenças de progresso entre os continentes evidenciam a necessidade de esforços globais contínuos para erradicar a fome.
