Bolivianos em São Paulo protestam contra estado de exceção na Bolívia e pedem liberdade para detidos durante mobilizações sociais.

Na cidade de São Paulo, um grupo de imigrantes bolivianos e membros de movimentos sociais se uniu em um ato de solidariedade na última segunda-feira, 22 de junho de 2026, em resposta às intensas mobilizações que têm ocorrido na Bolívia. O protesto surge em um contexto delicado, logo após o presidente boliviano, Rodrigo Paz, decretar estado de exceção em todo o país.

Os manifestantes, que se concentraram em frente ao Consulado-Geral da Bolívia, pediram a liberdade de manifestantes detidos, o fim da criminalização do movimento social e a denúncia das condições políticas e humanitárias que a população boliviana enfrenta atualmente. Rocio Quispe Yujra, uma servidora pública de origem aimará e residente no Brasil há mais de 40 anos, enfatizou a grave vulnerabilidade das comunidades indígenas na Bolívia. Ela destacou: “A comunidade indígena não é respeitada e muitas vezes seus direitos são ignorados.”

Jobana Moya, membro da organização Warmis Convergência das Culturas, também participou do ato e lamentou a falta de cobertura da mídia brasileira sobre a situação na Bolívia. Moya mencionou que as mobilizações já duram mais de 40 dias e, apesar do estado de exceção, a atenção da imprensa ainda é insuficiente. Além disso, ela denunciou a criminalização dos movimentos sociais e a pressão sobre detentos para que se declarassem culpados, sublinhando que muitos têm sido coagidos a isso.

As manifestações na Bolívia começaram em maio e tiveram como foco reivindicações econômicas, como um aumento salarial de 20% e melhorias no abastecimento de combustíveis. No entanto, com o tempo, a insatisfação popular se intensificou, demandando a renúncia do presidente Paz. Este, que assumiu o poder em dezembro de 2025, após um longo período dominado pela esquerda, introduziu medidas de austeridade que incluíam a retirada de subsídios a combustíveis.

A situação se agravou com afirmações do governo de que as manifestações estavam sendo influenciadas por grupos narcotraficantes, levando à decretação do estado de exceção como uma medida de contenção. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um alerta, recomendando que cidadãos brasileiros evitem viagens à Bolívia, exceto em casos essenciais.

Este contexto reflete uma crise complexa em um país que, após anos de relativa estabilidade sob regimes de esquerda, enfrenta uma crescente polarização e desafios sociais significativos. A solidariedade expressa em São Paulo é apenas um dos muitos ecos das tumultuadas circunstâncias que seu povo enfrenta em solo boliviano.

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