Apesar da Selic ter iniciado um ciclo de queda apenas em 2026, as instituições financeiras conseguiram apresentar resultados positivos. O ambiente de crédito, no entanto, permaneceu tenso, com taxas de juros em linhas de crédito como rotativo do cartão e cheque especial superando limites alarmantes — 400% e 100% ao ano, respectivamente. Análises indicam que a concentração do mercado é alta, com quatro grandes bancos controlando quase 60% do crédito disponível no Brasil até 2024.
O Banco Central (BC), em sua avaliação, considerou que o crescimento dos lucros foi “mais moderado”, impulsionado por provisões mais robustas e uma desaceleração no aumento do crédito. Mesmo assim, a rentabilidade se manteve alinhada à expansão do sistema financeiro. A Febraban, por outro lado, defendeu que esses resultados estão em sintonia com os encontrados em outros mercados emergentes e citou exemplos como México e Peru, que têm retornos superiores. Em contrapartida, países como Argentina e Turquia distorcem esses dados devido à sua inflação elevada.
Os especialistas apontam que o lucro expressivo dos bancos em 2025 não se deve apenas à Selic alta. Fatores como spreads ainda elevados, a redução gradual da inadimplência, critérios mais rigorosos na concessão de crédito e eficiência operacional também desempenharam um papel fundamental. A diversificação nas receitas através de serviços como gestão de recursos e seguros ajudou a fortalecer o setor, deixando os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito.
No entanto, a Febraban contesta a ideia de que a alta da Selic seja benéfica para os bancos, argumentando que taxas elevadas encarecem a captação e aumentam a inadimplência, o que, por sua vez, restringe a concessão de crédito e limita a geração de receitas. Este ponto é apoiado por uma visão governamental que busca promover o consumo das famílias, essencial para o crescimento econômico.
Além disso, o advento de iniciativas como o PIX está ampliando a bancarização no país e fortalecendo o mercado, embora também desafiando os bancos a ajustar suas estruturas de receita. A entidade acredita que, apesar da redução nas receitas de serviços, o impacto geral será positivo, demandando estudos mais aprofundados para entender completamente as consequências para o sistema financeiro nacional.





