Banco Central Expande Prazo para Contestação de Devoluções do Pix, Aumentando Combate às Fraudes e Aperfeiçoando Segurança das Transações.

O Banco Central (BC) anunciou uma atualização significativa no Mecanismo Especial de Devolução (MED) para transações realizadas por meio do sistema de pagamento instantâneo, o Pix. A partir de 1º de setembro, o prazo para contestar devoluções suspeitas de fraudes passa de 30 para 80 dias. Essa alteração visa não apenas aumentar a taxa de recuperação dos valores perdidos em crimes financeiros, mas também centralizar informações sobre CPFs e CNPJs envolvidos em fraudes.

O MED foi criado para auxiliar as vítimas que perderam dinheiro em fraudes ou golpes relacionados ao Pix, permitindo que aqueles que enviaram a transferência tenham um prazo de 80 dias para solicitar a devolução. Agora, essa nova medida também proporciona proteção para pessoas físicas e jurídicas que receberam uma transferência e acreditam que o pedido de devolução possa ter sido feito de forma fraudulenta.

Durante um evento promovido pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o chefe-adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Breno Lobo, destacou que a evolução do MED fará com que o rastreamento das transações passe a incluir até mesmo a segunda conta que recebe os valores, aumentando a capacidade de monitoramento e controle das fraudes.

Por outro lado, as instituições financeiras enfrentam desafios significativos. Fábio Braga, sócio do escritório Demarest Advogados, ressaltou a necessidade de essas entidades identificarem fraudes sem penalizar contas legítimas. As instituições têm o prazo de sete dias para analisar os pedidos de devolução, o que pode gerar ações judiciais em caso de insatisfação de qualquer parte envolvida.

Contudo, a facilidade em solicitar devoluções também pode abrir portas para abusos. O BC recebeu relatos de usuários que, indevidamente, acionaram o sistema em situações que não se tratam de fraudes, como desacordos comerciais ou arrependimentos.

Em resposta a essa questão, o BC convocou participantes do setor para discutir melhorias na jornada de atendimento do MED. Em agosto, uma nova versão de um manual destinado a aprimorar a experiência do usuário será divulgada, focando em guiar corretamente o usuário antes da abertura de um pedido de devolução.

Observando os desafios no equilíbrio entre eficácia e segurança jurídica, o Banco Central reconhece que também está vulnerável a ações judiciais relacionadas a marcações indevidas de fraude. Em resposta a isso, o BC tem trabalhado para apresentar informações de forma transparente, visando evitar confusões e falsos positivos.

A entidade também revelará novas medidas para reforçar a segurança do sistema, em meio a um cenário de crescente preocupação com ataques cibernéticos e fraudes. Isso inclui a instalação de mecanismos que possam garantir a penalização de instituições que não implementaram adequadamente medidas de segurança.

Por fim, o BC está buscando inovações tecnológicas para aperfeiçoar ainda mais o sistema, como um score de risco elaborado com inteligência artificial, que deve ajudar a identificar a probabilidade de determinadas transações serem fraudulentas. Além dessas iniciativas, novas regulatórias relacionadas ao Pix Parcelado e outras competências estão sendo desenvolvidas, com previsão de implementação em curto e médio prazo, sinalizando um comprometimento contínuo da instituição com a segurança e eficiência do sistema de pagamentos instantâneos no Brasil.

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