Banco Central e TCU intensificam combate às apostas ilegais, revelando fraudes de até R$ 40 bilhões no Brasil e alertando sobre riscos de lavagem de dinheiro.

As autoridades brasileiras estão intensificando a luta contra as plataformas de apostas online que operam fora dos limites da legalidade. Recentemente, novas medidas foram implementadas para fortalecer o controle sobre este setor. No dia 19 de maio, o Banco Central anunciou a Resolução BCB nº 569/2026, que amplia o compartilhamento de informações sobre indícios de fraudes financeiras. Esta norma exige que instituições financeiras, incluindo bancos e fintechs, troquem dados sobre indivíduos e empresas suspeitas de atuação ilegal nas apostas online. A implementação completa das novas diretrizes deve ser concluída até 1º de dezembro de 2026.

Essa abordagem de intercâmbio informativo já vem sendo trabalhada desde a Resolução Conjunta nº 6, de 2023, e foi reforçada pela Resolução BCB nº 343/2023. De acordo com especialistas, como o advogado e professor Aylton Gonçalves, as novas regras também ajustam as normas relacionadas aos prestadores de serviços de ativos virtuais, consolidando uma estrutura mais robusta para a regulação do setor.

A publicação da nova resolução acontece em um contexto de crescente pressão sobre as práticas no mercado de apostas. Uma auditoria divulgada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) destacou fragilidades nos mecanismos disponíveis para combate à lavagem de dinheiro vinculada a plataformas de apostas ilegais. O TCU estima que esses operadores irregulares representem entre 41% e 51% do total de apostas realizadas no Brasil, o que corresponde a um impacto financeiro que pode chegar a R$ 40 bilhões anualmente.

Sob a liderança do ministro Jorge Oliveira, a auditoria apontou sérios riscos, como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados. Além disso, foram identificadas lacunas na coordenação entre os diversos órgãos públicos, que dificultam a ação eficaz contra os operadores irregulares. As fragilidades incluem a falta de protocolos para compartilhamento de informações e a ausência de medidas integradas para coibir a atuação ilegal.

O TCU recomendou a criação de um mecanismo permanente de coordenação interinstitucional, envolvendo agências como a Anatel, o Banco Central, e a Receita Federal, com foco no combate efetivo às apostas ilegais. Essa iniciativa é vista como essencial para garantir não apenas a integridade do mercado de apostas, mas também a proteção dos consumidores contra fraudes e abusos. O cenário é um reflexo da crescente necessidade de regulamentação em um setor que, embora promissor, ainda enfrenta desafios significativos de legalidade e transparência.

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