BALANÇO – Nordeste reduz fome e tira 17,8 milhões da insegurança alimentar, aponta governo federal – com Jornal Rede Repórter

A Região Nordeste registrou uma significativa redução da fome e da insegurança alimentar entre 2022 e 2024. Segundo dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), cerca de 9,6 milhões de pessoas deixaram de enfrentar a fome no período, enquanto outras 17,8 milhões saíram de algum nível de insegurança alimentar e nutricional e passaram a viver em situação de segurança alimentar.

Os números mostram que a insegurança alimentar grave caiu de 21% para 4,8% dos domicílios nordestinos. No mesmo intervalo, o percentual de famílias em condição de segurança alimentar mais que dobrou, passando de 32% para 65,2%.

Também houve redução dos níveis leve e moderado de insegurança alimentar. A parcela de domicílios com insegurança leve recuou de 29,6% para 22,5%, enquanto a insegurança moderada caiu de 17,4% para 7,5%.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os resultados estão associados à retomada e ao fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que completa 20 anos em 2026. O sistema coordena políticas públicas voltadas ao combate à fome e à promoção do acesso à alimentação adequada.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, afirmou que os avanços refletem a integração de diferentes programas sociais e ações governamentais. Segundo ela, a reconstrução do sistema a partir de 2023 permitiu ampliar a articulação entre União, estados, municípios e sociedade civil.

A adesão ao Sisan também cresceu de forma expressiva. Em todo o país, o número de municípios participantes passou de 536, no fim de 2022, para 2.297 em junho de 2026. No Nordeste, os municípios aderidos saltaram de 194 para 1.060 no mesmo período.

Entre as políticas integradas ao sistema estão programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa Cisternas.

Dados do IBGE também apontam a ampliação da estrutura de segurança alimentar na região. Em 2024, o Nordeste contava com 400 restaurantes populares, 771 cozinhas comunitárias, 73 bancos de alimentos e 228 centrais de recebimento da agricultura familiar, além de uma crescente participação dos municípios em programas de compra de alimentos da agricultura familiar e ações de promoção da alimentação saudável.

O Sisan foi criado para articular políticas públicas de combate à fome e garantir o direito humano à alimentação adequada, reunindo instrumentos de planejamento, participação social e cooperação entre os diferentes níveis de governo.

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