Recentemente, durante um painel na “Rio Innovation Week 2026”, Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3, destacou que as discussões em curso visam adequar o público-alvo desses contratos. O modelo de referência é o dos Estados Unidos, onde investidores de varejo têm ampla participação, permitindo uma maior democratização do acesso a esse tipo de investimento.
Os contratos de eventos operam como derivativos que se referem a eventos com resultado mensurável. A negociação se dá através da probabilidade de ocorrência de tais eventos, refletida no preço do contrato, que varia de R$ 0 a R$ 100. Essas ferramentas podem estar atreladas a uma variedade de indicadores, como o IPCA (índice de preços ao consumidor), PIB, dólar e até mesmo criptomoedas como o bitcoin.
A B3 introduziu seu primeiro contrato de evento em 2020, focando na taxa Selic, que é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Desde então, ampliou a gama de contratos referenciados em várias métricas, incluindo o dólar e o Ibovespa. A proposta, segundo Maeda, é que esses produtos sirvam como referências de preço para as expectativas de mercado, distantes de qualquer associação com apostas esportivas ou jogos de azar.
João Accioly, diretor da CVM, reiterou a importância de remover barreiras regulatórias que limitam o acesso a esses contratos, destacando a necessidade de um público mais educado, tanto entre os investidores quanto os reguladores. Em abril, uma resolução do CMN restringiu a negociação de certos derivativos a eventos de natureza econômica, ajudando a estabelecer uma distinção clara entre mercados preditivos e jogos de azar.
Fernando Carvalho, CEO da VoxFi, argumentou que a popularização desses contratos entre o público geral depende de uma simplificação nas regras e procedimentos de cadastro, alinhando-se a modelos de sucesso em países como os Estados Unidos. Carvalho também anunciou planos para lançar uma plataforma de enquetes conectada a ambientes de negociação regulamentados.
Felipe Hanszmann, fundador da Grey Matter, lembrou que a discussão acerca da natureza preditiva desses mercados não é nova, remonta ao século 19 e já enfrentou desafios semelhantes no contexto de contratos futuros. Ele enfatizou os riscos regulatórios reconhecidos no mercado financeiro, que incluem manipulação e uso de informações privilegiadas. Além disso, estudos indicam que mercados preditivos podem oferecer previsões econômicas mais exatas do que métodos tradicionais, abrindo novos caminhos para o entendimento do comportamento do mercado.





