Aumento de Homicídios no Uruguai Põe Governo de Yamandú Orsi em Xeque e Levanta Críticas sobre Falta de Ação Eficaz

A Violência em Ascensão no Uruguai e a Resposta do Governo

Nos primeiros seis meses de 2026, o Uruguai registrou um alarmante número de 195 homicídios, o mais alto para esse período em oito anos. A escalada da violência, com um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior, está diretamente relacionada ao tráfico de drogas, que representa mais de 70% dos assassinatos na região metropolitana de Montevidéu. Este grave cenário levou o governo de Yamandú Orsi a reavaliar suas estratégias de segurança pública em um país que, até recentemente, era considerado um oásis seguro na América do Sul.

Historicamente, o Uruguai se destacou como um país de consumo moderado de drogas, mas a sua localização estratégica no Atlântico Sul agora atrai o interesse das facções criminosas, tornando-o um importante ponto de trânsito. Esse novo arranjo dentro da dinâmica do narcotráfico exige uma resposta mais robusta do governo, que enfrenta pressões crescentes da oposição e da população, já que 46% dos cidadãos desaprovam a gestão atual, enquanto apenas 29% a apoiam.

O especialista em relações internacionais, João Estevam, ressalta que o aumento da violência está entrelaçado ao surgimento de novas facções criminosas e à transnacionalização do narcotráfico na região. Em vez de medidas efetivas, o governo tem enfrentado críticas por não reestruturar adequadamente a política de combate ao narcotráfico. No entanto, Estevam não classifica a situação do Uruguai como uma crise absoluta de segurança pública, comparando-a a tragédias mais sérias vividas em países como Equador e Paraguai.

Como parte das iniciativas de combate à violência, o governo implementou operações militares em bairros críticos e mobilizou unidades das Forças Armadas para patrulhar áreas afetadas pelo tráfico. Essa recente medida, porém, gerou controvérsia e questionamentos sobre o papel do Exército em questões de segurança pública. As críticas se intensificam, sobretudo após incidentes como o assassinato de uma criança de 12 anos, que simboliza a urgência do problema.

Daniel Osowicki, um historiador e especialista em geopolítica, aponta que, apesar da tentativa do governo de mostrar uma presença maior do Estado, as medidas adotadas até agora não têm se mostrado eficazes. Ele ressalta a necessidade urgente de uma abordagem mais integrada, incluindo maior colaboração entre os países da América do Sul em termos de inteligência policial e operações conjuntas.

“Estamos diante de uma questão que não é facilmente resolvida, especialmente em um país que, com sua população reduzida, tem a falsa expectativa de que pode atuar rapidamente para recuperar a segurança”, conclui. A situação exige um compromisso político coletivo e ações decisivas para enfrentar a profunda crise de violência que assola não só o Uruguai, mas toda a região.

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