Incêndios e ataques aéreos na Líbia revelam fragilidade da segurança
No oeste da Líbia, bombeiros enfrentaram um incêndio de grandes proporções na manhã de terça-feira, resultado de um ataque com drone a uma instalação produtora de petróleo, ocorrido na véspera. A cidade de Zawiya, localizada à beira do Mediterrâneo, foi alvo de uma série de ofensivas aéreas que englobaram também infraestrutura elétrica e refinarias, de acordo com a National Oil Corporation, uma entidade estatal.
Esses ataques atraem a atenção para a vulnerabilidade da Líbia no que diz respeito à proteção de suas instalações críticas. Enquanto isso, em Benghazi, um atentado com carro-bomba resultou na morte de um oficial militar de alta patente, sublinhando o clima de insegurança que permeia o país. A escalada de violência insultou particularmente a força autodenominada liderada por Khalifa Hifter, um dos principais jogadores no complexo tabuleiro político e militar líbio.
Ainda não se sabe quem é o responsável por ataque com drones em Zawiya, que está a cerca de 47 quilômetros de Trípoli. O primeiro ataque foi devastador, causando um incêndio massivo em um tanque de armazenamento de gasolina que perdurou durante toda a noite, segundo relatos da Defesa Civil. Felizmente, não foram registradas vítimas. Fotos veiculadas por veículos de comunicação local mostraram chamas elevando-se do tanque enquanto os bombeiros lutavam contra as labaredas.
A situação se agravou com novos ataques, incluindo um que danificou o sistema de combate a incêndios em uma usina de energia local, embora não tenha causado vítimas. Esses eventos refletem uma sequência de ofensivas recentes que visam garantir o controle sobre um setor essencial da economia líbia.
Os ataques aéreos também coincidem com o aumento da tensão entre o governo ocidental e forças sob o comando de Mohamed Bahroun, um senhor da guerra que controla a cidade. A instabilidade é palpável, vindo de um governo que luta para manter o domínio enquanto enfrenta uma oposição armada. Um analista de um think tank britânico sugere que Bahroun pode estar recorrendo a medidas drásticas devido à crescente pressão.
Enquanto isso, a divisão política na Líbia continua a se aprofundar, com duas administrações rivais estabelecidas nas regiões leste e oeste, cada uma sustentada por milícias e influências estrangeiras. O cenário caótico, que se desenrolou desde a revolta de 2011 que resultou na queda de Muammar Gaddafi, se intensifica à medida que o governo do primeiro-ministro Abdul-Hamid Dbeibah no oeste e o liderado por Ossama Hammad no leste tentam manter o controle em um país em eterna turbulência.
A visita programada do ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, que se deslocará por Trípoli e Benghazi, sugere que a comunidade internacional continua atenta aos desdobramentos em uma nação que, há mais de uma década, vive sob o espectro da incerteza e do conflito. A luta pela influência na Líbia persiste, lançando sombras sobre um futuro que necessita de estabilidade e paz.
