Audiência Pública em Washington Debate Tarifas de 25% sobre Produtos Brasileiros e Participação de Flávio Bolsonaro Prevista para Terça-feira.

Nesta segunda-feira, 6 de novembro, a cidade de Washington será o palco de uma audiência pública organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O evento tem como objetivo discutir a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, um passo que integra a investigação comercial já em andamento. A decisão final sobre essa questão está prevista para ser divulgada no próximo dia 15 de julho.

Embora a audiência se inicie hoje, o senador Flávio Bolsonaro, que também é candidato à presidência e é membro do PL no Rio de Janeiro, será ouvido apenas na terça-feira, durante o segundo e último dia de depoimentos. Sua participação se dá após a apresentação de um documento de 86 páginas ao USTR, no qual solicita a suspensão das tarifas, pleiteia a exclusão do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix, das discussões comerciais e sugere a abertura de um diálogo bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

No documento, Flávio argumenta que a implementação da sobretaxa teria um efeito contrário ao desejado por Washington, favorecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador defende que sanções específicas contra autoridades brasileiras seriam mais eficazes do que medidas que penalizem toda a economia. Desde domingo, Flávio está em solo americano e permanecerá em Washington até o término da audiência, com retorno previsto ao Brasil na quarta-feira, onde retomará sua agenda de pré-campanha em Pernambuco e Ceará.

A audiência é parte de uma investigação aberta sob a Seção 301 da legislação comercial americana, um mecanismo utilizado para avaliar práticas de outros países que possam prejudicar interesses econômicos dos EUA. Essa análise abrange diversos aspectos, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico e questões de propriedade intelectual.

Enquanto isso, o governo brasileiro busca soluções diplomáticas para a situação. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços já apresentou respostas ao USTR, mas decidiu não enviar representantes oficiais para a audiência. O Planalto entende que o evento deve ser mais voltado para representantes de empresas e da sociedade civil, mantendo as negociações nos canais diplomáticos.

A estrutura da audiência se dividiu em 14 painéis, com os primeiros sete ocorrendo hoje. Flávio fará sua apresentação no painel da manhã de terça-feira, ao lado de representantes da indústria brasileira. Cada participante terá cerca de cinco minutos para expor seus pontos de vista, com tempo controlado, e após as apresentações, integrantes do USTR poderão fazer perguntas para aprofundar a discussão.

No entanto, ao contrário de audiências do Congresso, esta não terá transmissão ao vivo, mas a íntegra das transcrições deverá ser divulgada posteriormente. Além de Flávio Bolsonaro, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, representará importantes entidades do setor industrial brasileiro.

Os preparativos para a audiência vêm sendo feitos desde junho, com um prazo para manifestos finais encerrando em 1º de julho. Flávio reforçará na audiência que a implementação das tarifas deve ser suspensa enquanto Brasil e Estados Unidos buscam um entendimento, e argumentará que o Pix não deve ser objeto de sanções, considerando que se trata de uma infraestrutura pública, e não de uma empresa competidora. Em sua avaliação, a tarifa de 25% não afetaria diretamente as autoridades criticadas pelos EUA, mas, ao contrário, beneficiaria o governo Lula em termos de capital político.

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