Argentina finaliza privatização da hidrovia Paraná-Paraguai, estratégia crucial para exportações do Mercosul e próxima fase de modernização no transporte fluvial.

Na última sexta-feira, o governo argentino anunciou a conclusão da privatização da hidrovia Paraná-Paraguai, um dos principais corredores fluviais do país e vital para o escoamento das exportações, que representam cerca de 80% do total argentino destinado ao Oceano Atlântico. A concessão foi atribuída à empresa belga Jan de Nul, que possui histórico na operação da via, tendo colaborado anteriormente com a argentina Emepa entre 1995 e 2021.

Com essa nova concessão, a Jan de Nul assume a responsabilidade pela operação da hidrovia pelos próximos 25 anos, uma mudança que também impacta diretamente os países vizinhos: Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai, todos integrantes do Mercosul. A assinatura formal do contrato ocorrerá nos próximos 30 dias, encerrando um período de administração pública da hidrovia, que começou em setembro de 2021 sob a supervisão da Administração Geral dos Portos.

A hidrovia, com uma extensão de 1.635 quilômetros, vai desde a confluência dos rios Paraná e Paraguai até o estuário do Rio da Prata. Segundo Manuel Adorni, chefe de Gabinete da Presidência argentina, essa nova fase deve trazer modernização significativa, com obras previstas de aprofundamento do canal e adoção de tecnologias que visam aumentar a segurança da navegação, além de medidas para coibir o narcotráfico.

Além das operações de navegação, a Jan de Nul ficará encarregada da manutenção, sinalização e dragagem do canal, um serviço que, segundo estimativas, deverá garantir uma receita média anual de US$ 628,2 milhões, totalizando aproximadamente US$ 15,7 bilhões ao longo da concessão. A perspectiva é que as melhorias possibilitem que os navios partam com carga completa, concretizando uma redução de 13,5% nos custos logísticos.

Vale destacar que o processo de licitação anterior, realizado em fevereiro, foi cancelado pela administração de Javier Milei, o que gerou críticas de concorrentes como a empresa belga DEME. Em meio a esse panorama competitivo, muitos questionam se a escolha da Jan de Nul realmente representa a melhor condição para o desenvolvimento sustentável e econômico da hidrovia e das regiões que dela dependem.

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