Argentina conclui privatização da hidrovia Paraná-Paraguai, maior corredor fluvial do país, e confere concessão de 25 anos à empresa belga Jan de Nul.

Nesta sexta-feira, 20 de outubro, o governo argentino anunciou a conclusão do processo de privatização da hidrovia Paraná-Paraguai, um dos principais corredores fluviais do país. Este corredor é fundamental para o escoamento de cerca de 80% das exportações argentinas destinadas ao oceano Atlântico. A concessão foi outorgada à empresa belga Jan de Nul, que já teve sua participação na operação da via entre 1995 e 2021, em parceria com a companhia argentina Emepa.

O chefe de Gabinete da Presidência, Manuel Adorni, expressou otimismo em suas redes sociais ao afirmar que a privatização foi um sucesso. A nova concessão permitirá à Jan de Nul administrar a hidrovia pelos próximos 25 anos. Este trecho é de extrema importância não apenas para a Argentina, mas também para as exportações de outros países do Mercosul, como Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai.

O processo formal de privatização será concretizado com a assinatura do contrato previsto para os próximos 30 dias. Desde setembro de 2021, a administração da hidrovia estava sob a responsabilidade do governo local através da Administração Geral dos Portos. A hidrovia tem uma extensão de 1.635 quilômetros, abrangendo desde a confluência do rio Paraguai com o Paraná até o estuário do Rio da Prata.

De acordo com Adorni, este novo modelo de concessão promete iniciar uma fase de modernização da hidrovia. As melhorias incluem obras de aprofundamento do canal e a introdução de tecnologias novas para aumentar a segurança da navegação, além de medidas específicas para combater o narcotráfico. A Jan de Nul se comprometeu a reduzir os custos logísticos em 13,5%, permitindo que os navios saiam dos portos com carga completa.

Vale lembrar que a licitação anterior, que ocorreu em fevereiro deste ano, foi cancelada pelo governo de Javier Milei, que identificou a presença de apenas uma concorrente, a belga DEME. A nova licitação provocou críticas da DEME, que alegou que a Jan de Nul teria obtido uma “vantagem estrutural” ao longo do processo.

Além de administrar a operação da hidrovia, a Jan de Nul será responsável pela cobrança de pedágios, manutenção, sinalização e dragagem do canal. Estima-se que a empresa terá uma receita média anual de US$ 628,2 milhões, totalizando US$ 15,7 bilhões ao longo do período de concessão. Essa movimentação no setor de transportes reafirma a relevância do corredor na logística regional, ampliando as expectativas de desenvolvimento econômico para a Argentina e seus vizinhos.

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