Aproximação com a IA diminui medo de desemprego, mas rejeição à automação persiste entre brasileiros, aponta pesquisa do Datafolha sobre tecnologia no trabalho.

Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revelou que o medo de perder o emprego para a inteligência artificial (IA) diminuiu entre os brasileiros que estão mais familiarizados com essa tecnologia. Enquanto em 2025, 56% dos entrevistados temiam uma possível substituição por máquinas, esse número caiu para 48% no último ano. Ao mesmo tempo, a porcentagem de pessoas que afirmam não temer essa mudança subiu de 41% para 49%.

O uso da IA no ambiente profissional também apresentou um crescimento significativo. Atualmente, 24% dos entrevistados que conhecem a tecnologia já a utilizam em suas atividades de trabalho, seja para pesquisas online, criação de conteúdos audiovisuais, ou mesmo em práticas cotidianas do dia a dia. Essa maior aceitação da IA contrasta com as preocupações expressas por líderes de mercado, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, que alertam para o risco de desemprego em massa devido à automação.

Por outro lado, economistas indicam que a queda no medo pode ser um ajuste às previsões alarmistas que dominavam o cenário anteriormente. Daniel Duque, do FGV Ibre, argumenta que o mercado de trabalho não enfrentou a ruptura prevista, sugerindo que as pessoas agora reconhecem que ainda há demanda por diversos tipos de trabalho.

Entretanto, apesar do aumento na aceitação do uso de IA, a resistência à automação em certas áreas permanece alta. Um estudo indicou que 79% dos brasileiros se opõem ao uso de IA em processos de contratação e demissão, práticas já comuns em muitos departamentos de recursos humanos. Além disso, 68% desaprovam decisões automatizadas em tratamentos médicos e 67% são contra o uso de IA na concessão de crédito, apesar da crescente adoção dessa tecnologia no setor financeiro.

A pesquisa aponta que quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros estão em áreas com algum nível de exposição à IA, com destaque para os jovens e aqueles em cargos de serviços. Porém, a vulnerabilidade da classe média no Brasil e a falta de recursos, como poupança, agravam os riscos de substituição, especialmente nas funções repetitivas. O dilema revela um cenário complexo onde, embora a adaptação ocorra, os desafios econômicos e sociais persistem.

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