No último sábado, a Venezuela comunicou ao Brasil a decisão de revogar a custódia do país sobre a embaixada argentina, que vinha abrigando opositores ao regime de Maduro. O Brasil havia assumido a proteção da sede diplomática após a expulsão de todos os diplomatas argentinos em retaliação às posições do economista e político Javier Milei.
Desde a última sexta-feira, um grupo de homens encapuzados vinha cercando a embaixada, onde se encontravam seis cidadãos venezuelanos buscando asilo político. A situação só se acalmou com a saída do candidato opositor Edmundo González Urrutia, rival de Maduro, que deixou o país e se exilou na Espanha neste domingo.
O Itamaraty expressou surpresa com a decisão venezuelana e afirmou que só deixaria a proteção da embaixada quando um substituto fosse designado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com autoridades do Ministério das Relações Exteriores para discutir a situação, demonstrando a preocupação do governo brasileiro com a crise diplomática em curso.
Enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou que o regime venezuelano forçou o exílio de Edmundo González, considerando-o o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais, o presidente Lula declarou que o processo eleitoral na Venezuela não foi correto e, por isso, o Brasil não reconheceu os resultados. Estados Unidos, União Europeia e dez países latino-americanos, incluindo a Argentina, também rejeitaram a validade da reeleição de Maduro.
Diante desse cenário de incerteza e tensão política na Venezuela, a comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos e aguarda por resoluções que possam restabelecer a estabilidade e a democracia no país.