Anvisa aprova primeiro medicamento para diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes, oferecendo nova esperança na luta contra a epidemia da doença no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de dar um passo significativo na luta contra o diabetes tipo 2 ao aprovar o uso da tirzepatida, comercializada como Mounjaro, em crianças e adolescentes com idades entre 10 e 17 anos. Essa é a primeira vez que um medicamento da classe de agonistas dos receptores GIP/GLP-1 recebe autorização para utilização em pacientes pediátricos no Brasil, destacando-se como uma inovação que pode mudar paradigmas no tratamento da doença.

O diabetes tipo 2, que anteriormente era visto como uma condição tipicamente associada à vida adulta, tem se tornado uma preocupação crescente entre a população mais jovem no Brasil. O país se destaca globalmente, figurando entre os dez com o maior número de casos da doença na faixa etária pediátrica. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes revelam que aproximadamente 213 mil adolescentes convivem com essa enfermidade, enquanto cerca de 1,46 milhão apresenta condições de pré-diabetes. Essas estatísticas alarmantes estão intimamente ligadas ao aumento da obesidade infantil, com um em cada três adolescentes brasileiros apresentando excesso de peso, um fator que contribui para o surgimento do diabetes tipo 2.

Luiz André Magno, diretor médico sênior da Lilly, enfatizou a importância da aprovação, afirmando que crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 enfrentam uma progressão mais rápida da doença em comparação aos adultos. Histórico de opções terapêuticas limitadas para essa faixa etária são um desafio, e a introdução de Mounjaro surge como uma alternativa promissora. O medicamento se destacou por sua eficácia significativa e um perfil de segurança definido, e pode transformar a maneira como a doença é gerida entre os jovens, que, por sua natureza, são mais suscetíveis a complicações.

Os resultados clínicos que embasaram a decisão da Anvisa foram extraídos de um estudo de fase avançada, publicado em uma respeitada revista científica em setembro de 2025. Este ensaio demonstrou uma redução notável da hemoglobina glicada em comparação ao grupo que não recebeu o medicamento, com 86,1% dos participantes alcançando o controle metabólico desejado após 30 semanas. Além disso, a maior dosagem testada resultou em uma diminuição média de 11,2% no índice de massa corporal ao longo do mesmo período.

Embora o tratamento tenha mostrado resultados promissores, alguns efeitos adversos foram registrados, com os mais comuns sendo de natureza gastrointestinal, como diarreia, náusea e dor abdominal. Esses sintomas foram considerados leves a moderados e ocorreram predominantemente durante a fase de ajuste da dosagem. A esperança é que, com Mounjaro, a vida de muitos jovens que enfrentam o diabetes tipo 2 possa ser significativamente melhorada, oferecendo-lhes uma nova ferramenta na luta contínua contra essa condição de saúde que afeta milhões em todo o Brasil.

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